sexta-feira, 2 de junho de 2006

A COLECÇÃO BERARDO E OS "EURICOS"

Está consumado o "negócio" da colecção Berardo.
Foram ontem aprovados, em Conselho de Ministros, os estatutos da Fundação Berardo, já foram nomeados os cinco administradores, e na próxima semana haverá reunião de conselho de administração.

Mas, neste negócio a dez anos (prazo de cedência da colecção à nova Fundação Berardo), muitas dúvidas (ou certezas?) estão por clarificar.

Aquilo que já é seguro é que nos próximos dez anos o comendador Berardo não necessita de se preocupar com os custos de administração, conservação, manutenção, promoção e exposição da sua colecção.

E esta a valorizar-se !

Só para termos uma muito pequena ideia dos "euricos" envolvidos, vamos recordar alguns números apresentados pela jornalista Paula Lobo do Diário de Notícias, em artigo de 24.12.2005.

Assim, e durante os nove anos em que a colecção Berardo esteve em depósito no Centro Cultural de Belém (assim a modos que um armazém de luxo mas pago pelo orçamento de estado), os gastos foram estes:

€ 420.000 para acolher a colecção
€ 50.000/ano para montagens e transportes
€ 40.000/ano para pessoal contratado para tratar do acervo
€ 300.000 nas duas últimas grandes exposições (Corpus e Construir/Desconstruir/Habitar)
ou seja, € 1.500.000 em nove anos.

Só para ficarmos com uma boa "fotografia" do que representa esta verba, convém recordar que o Museu do Chiado, em 2005, teve € 20.000 para aquisições.

Leram bem: vinte mil euros para aquisições, em 2005, para o Museu do Chiado !

E estes números referem-se sómente aos encargos com o depósito da colecção no CCB !

A partir de agora, qual vai sêr o orçamento necessário para fazer rodar a nova máquina ?

Só para o Conselho de Administração entraram 4 novas "caras": Bernardo Pinto de Almeida, André Luis Gomes (advogado de Joe Berardo), Renato Berardo (filho de Joe Berardo) e José António Pinto Ribeiro, sendo que o quinto elemento é "da casa", ou seja, Margarida Veiga.

E para tornar a situação ainda mais "interessante", convém recordar que o comendador Berardo tem até ao fim do ano para aceitar, ou não, o valor que uma comissão independente está a estudar para atribuir à Colecção !

Ou seja, o Estado Português já está obrigado a sustentar todos os custos com a Colecção Berardo, sem sequer saber se a pode comprar e qual o preço. Belo negócio.

Para finalizar, convém recordar as declarações de Joe Berardo à revista Actual, do Expresso, com data de 10.12.2005:

"O contrato será feito a 10 ou 15 anos, com uma cláusula que obriga a minha família a não vender as obras sem primeiro dar às entidades públicas envolvidas a opção da compra".

O prazo já lá está (10 anos), as despesas também, quanto à compra...

DE COMO "ISTO" ANDA, DOS EURICOS, OU
HAJA VERGONHA !

"Está eminente o despejo da Sociedade de Língua Portuguesa".

"Depois de diversas vicissitudes, que a obrigaram a colocar num armazém da Biblioteca Nacional a sua utilíssima biblioteca, a sociedade ocupava um edifício que pertence ao Instituto de Gestão Financeira. Este pretende que abandonem o local ou procedam a um arrendamento com uma renda mensal de 2 324 euros, com retroactivos desde Janeiro de 2006".

Ou seja, este governo e esta Minístra da Cultura disponibilizam milhões de euricos para os comendadores & associados, enquanto que para outras entidades, fundamentais no panorama cultural português, mas sem o poder mediático de Berardos & Rendeiros, aplica-se a regra de "quem não tem dinheiro não tem vícios", ou seja, neste caso, para que serve uma Sociedade da Língua Portuguesa ?

Pelos vistos para nada, segundo o ponto de vista dos nossos "queridos" governantes.

E votei eu PS em 2005 !

Sobre este tema não deixem de lêr o blog "Da literatura" (link)

BORN IN THE U.S.A.
Fotografia e política americanas
















about jim lommasson (link)

A tale of two insurgencies
The insurgent campaigns in Iraq and Afghanistan are exerting severe pressure on United States and British forces – and there is more to come.


George W Bush's hailing of a "turning-point" in Iraq in his speech of 22 May has coincided with more problems for the coalition forces there. The United States president's most recent declarations of optimism follow repeated examples of the genre over the past three years, many occasioned by particular events: the deaths of Uday and Qusay Hussein, the capturing of Saddam Hussein himself, the handover from Paul Bremer to a selected Iraqi administration, the agreement of an Iraqi constitution, and the national elections of January 2006. The statements may serve the purpose of trying to persuade Americans to accept the rising toll of casualties; but each time, the expectations they raise have been unfounded.

This time, the welcome indicator of progress was the long-delayed establishment of an Iraqi government under prime minister Nouri al-Maliki. The optimism of the US president or his close ally Tony Blair paid little heed to the fact that key ministries remained unfilled. More immediately, the political manoeuvrings in Baghdad occurred against the backdrop of a series of bombings across much of central Iraq and a rapid deterioration in security in Basra, prompting the declaration of a state of emergency in the southern city.

Every day, scores of Iraqi civilians are being killed. In addition, the British have had one of their worst months since the beginning of the war, while the easing of US casualties in March was brutally reversed, as losses in April-May 2006 were among the highest in these three years: 143 soldiers killed and more than 800 injured.

Curiosos ?

Texto completo neste LINK

quinta-feira, 1 de junho de 2006

TENHAM UM MUITO BOM DIA


























la poupée
about hans bellmer (link)

AVISO À NAVEGAÇÃO

A lógica de colocação de textos neste blog
não obece à lógica corrente na blogosfera.

Este blog não é para preguiçosos.

NOTA:QUANDO APARECER UMA "TIRA" DO GARFIELD,
É SINAL DE QUE A FORMIGA FECHOU O BLOG.

NÓS POR CÁ TODOS BEM
Temas do rectângulo

Quando da próxima vez levantarmos a voz contra os "fracos reis" que nos governam,
tenhamos a coragem de reconhecer neles a triste imagem da "fraca gente"
em que nos deixámos transformar.
viriato soromenho marques - visão 18.5.2006























UMA CAUSA QUE A FORMIGA
BARGANTE APADRINHA SEM
A MENOR HESITAÇÃO.

link

CORNELIUS CASTORIADIS

On ne peut plus, dans un projet de transformation de la société, accorder au Messie prolétarien le rôle privilégié et souverain que Marx lui attribuait dans sa théologie historique. Il n’y a pas de Messie et le prolétariat n’a aucun privilège. Plus généralement, les pauvres en tant que pauvres n’ont aucun privilège politique. Ils peuvent tout aussi bien être une classe subversive – mais subversive vers quoi ? – qu’être la proie la plus facile des démagogues staliniens ou nazis. Pour Marx, si le prolétariat avait un rôle, ce n’était pas seulement à cause de la paupérisation et de la misère, mais du fait des nouveaux modes de socialisation imposés par l’usine capitaliste : le prolétariat composait alors une nouvelle classe d’hommes, avec d’autres réflexes, d’autres comportements sociaux, qui tendaient à s’auto-organiser pour faire aboutir leurs revendications. Ce qui, soit dit en passant, nous montre combien, conformément à son habitude, Jean-Paul Sartre comprenait Marx et le marxisme lorsque il voulait, avec Fanon, transposer le rôle du prolétariat aux paysans du tiers-monde. Peut-être ces derniers sauveront-ils l’humanité. Je n’en sais rien, et on ne le voit pas venir. On ne peut, en tout cas, les intégrer de force dans ce schéma marxien d’une socialisation à la fois négative et positive contre le capital, et qui, surtout, pose de nouvelles formes de coexistence sociale, d’« être-ensemble », comme on dit aujourd’hui – et c’est ce dernier élément qui a fait l’importance du mouvement ouvrier.

A "NOVA" FUNDAÇÃO BERARDO

Vai hoje a conselho de ministros a proposta de estatutos da Fundação de Arte Moderna-Colecção Berardo (Fundação Berardo), bem como um projecto de decreto-lei relativo ao mesmo tema.

A serem aprovados pelo conselho de ministros (e onde reside a dúvida sobre a sua não aprovação?) os estatutos da fundação e a proposta de decreto-lei, Berardo "empresta" durante 10 anos a sua colecção à nova Fundação, e, em contrapartida, passa a gerir o Centro de Exposições do Centro Cultural de Belém, com dinheiros públicos, ou seja, durante dez anos o comendador não terá qualquer despesa com a colecção, aproveitando para a valorizar.

Um dos pontos mais curiosos para serem analisados pela Formiga Bargante, é o mecanismo pelo qual o comendador só no final deste ano estar obrigado a, formalmente, declarar se aceita ou não vender a colecção ao estado português pelo valor que estará a ser determinado por uma instituição estrangeira.

Caso não aceite, o que sucede?

Durante os próximos dez anos o Centro de Exposições do CCB fica "às ordens" do comendador e da sua nova Fundação, com dinheiros disponibilizados pelo orçamento de estado, para no final o comendador "agradecer a generosidade" (sim, que ele é um homem grato) dos portuguêses, e "partir para outra" com uma colecção fortemente valorizada pela exposição que vai adquirir na sua "nova casa".

Esperemos para vêr.


NO PROBLEM
em actualização ao longo do dia

$ - Portugal has the highest level of school-leavers of the E.U., reaching 43,1% in 2001
in: josé m.magone - the developing place of portugal in the E.U (pág.58).
NO PROBLEM

$ - "Dados da Comissão Europeia revelam que só 47,2% dos portugueses entre os 20 e os 24 anos têm habilitações iguais ou superiores ao 12º ano, quando a média europeia é de 74% e a dos novos Estados-membros é de 88,3%"
in:manuela vaz velho - público de 1.6.2006
NO PROBLEM

$ - A totalidade dos créditos de cobrança duvidosa aumentou 1,71%
Malparado na habitação cresce 9,95% em Março
Os créditos de cobrança duvidosa nos empréstimos para habitação ascenderam a 1.204 milhões de euros no primeiro trimestre de 2006. Os bancos estão a renegociar os contratos, com alargamento do prazo dos empréstimos. Em tempo de crise económica, em que o desemprego continua a subir, os portugueses estão a utilizar os subsídios de férias e de Natal para fazerem face às suas dívidas.
in:semanário económico de 26.5.2006
NO PROBLEM

$ - Portugal é ainda um país que vive do Estado. Esta "verdade" é uma constatação muito iludida pelo discurso dos empresários. Feitas as contas à contribuição em impostos directos e indirectos por parte dos cidadãos trabalhadores dependentes, essa fatia está desproporcionada relativamente àquela que deveria ser a contribuição das empresas. Num Estado moderno terão de ser as empresas o grande motor da sua economia.
in: josé paquete de oliveira - jornal de notícias de 1.6.2006
NO PROBLEM

$ - "Portugal é um país de corporações, ferozmente defensoras dos direitos adquiridos. Alguns saídos da cabeça do professor salazar, cuja política dizem odiar, mas que, na prática, sancionam.Quarenta anos depois...!"
in: camilo lourenço - jornal de negócios de 31.5.2006
NO PROBLEM

$ - "The major parties (em Portugal) have became shopping centers in which all products can be found, while the smaller parties are more than ever specialized "boutique parties" with small constituencies"
in: josé m. magone - the developing place of portugal in the E.U. (pág.58)
NO PROBLEM

BORN IN THE U.S.A.
Fotografia e política americanas

















about gregory crewdson (link)

Letter from Ground Zero
The momentous changes in world politics provoked by the 9/11 attacks have still not been recognised in the United States itself.

No special sign, or warnings, greet the traveller who seeks to visit the site of the World Trade Centre twin towers, destroyed in the epochal minutes of 11 September 2001. New Yorkers suggest taking the subway to Chambers Street station in Manhattan, and then walking a few blocks, and this is what I do. Nothing marks the approaches to the site except one lone street-vendor, who turns out to be from Cameroon, selling twin-tower key rings, New York fire department T-shirts and a photographic album of the events from which all human victims are removed.

Turning the corner into Cortlandt St you run up against a large empty space, surrounded by a wire fence, within its sixteen acres little movement can be seen: in effect, a building-site where, from now to 2009, a new Freedom Tower and other smaller buildings are to be erected. Around the site apparent normality prevails: a temporary Port Authority train station was rapidly rebuilt; St Paul's Chapel, where George Washington used to pray when New York was the United States capital, and where the fire-fighters and victims took refuge and rest on the day stands unperturbed; hotels, cafes and offices continue as normal. No souvenirs, no plaques, as yet no memorial.

This apparent calm also applies to New York as a whole.

Curiosos ?

Texto completo neste LINK