quarta-feira, 21 de março de 2007

DADO QUE CHEGOU A PRIMAVERA...

ESPERAR PARA VER

O nosso pequenino mundo está em grande ebulição. À direita, no PP, onde antes havia personalidades que se odiavam cordialmente - expressão usada por um velho dirigente -, caiu o "cordialmente". Nos salões bem almofadados de um hotel de cinco estrelas, montou-se uma enorme peixeirada com os mais inesperados intervenientes. O resultado final será catastrófico.

No PSD, Santana Lopes já ameaça voltar, tal é o vazio que vê na liderança e à sua volta; mas a hora dificilmente será dele. Peixes de águas mais profundas sabem que ainda não é o momento-chave e não embarcam nas primeiras marés.

O PCP apressa-se, via CGTP em montar o cenário para uma greve geral. A ocasião é boa - cresce o descontentamento.

No PS, as certezas deram lugar a algumas dúvidas. Então não é que a Ota já não oferece tanta segurança como até aqui? Então não é que nomes que até são próximos do primeiro-ministro já se interrogam sobre se a Ota será a melhor localização para o novo aeroporto? O interessante dos próximos dias será ver como vai José Sócrates "segurar" o voluntarioso e acérrimo otista, o ministro Mário Lino; ou ver se este último deixa de ser otista acérrimo e como vai gerir esse golpe de rins tão complicado.

Dito em bom português, o panorama político baralhou. Baralhou para o Governo e para o PS, porque à medida que se avança no tempo os erros são indesculpáveis e se exige que as opções sejam certas. Baralhou para a oposição, porque no PSD não há umaliderança forte e no PP se desatou aos tiros nos pés num espectáculo verdadeiramente circense. E vai complicar para o PCP, porque, encaminhando-se para a saída do costume - a greve geral -, é bem capaz de encontrar as dificuldades do costume e o resultado do costume.

A ebulição política aconselha alguma moderação esperar para ver.

in: josé leite pereira - jornal de notícias de 21.3.2007

Comentário da formiga: o que nos vale é que "O Povo é Sereno", como dizia o outro...

DADO QUE CHEGOU A PRIMAVERA...


BORN IN THE U.S.A.
Nem sempre fotografia e política americanas













about tacita dean (link)

DADO QUE CHEGOU A PRIMAVERA...


DADO QUE CHEGOU A PRIMAVERA...

FROM TROPHY WIFE TO TOXIC WIFE
You may not know one personally, but you will certainly have read about them. They are, increasingly these days, the figures who emerge triumphant from the divorce courts. They are the ones who get to keep the house (no mortgage), the cars (usually more than one), the staff (approaching double figures) and, more often than not, half the husband's fortune, regardless of what she has done to contribute towards it.

I'm not talking about the ones who sacrificed careers at the altar of family life only to be cruelly abandoned when their useful days are done. I'm talking about the ones who knowingly take their husbands to the cleaners claiming, while they are at it, that they could do with £20 million or so to keep them in blow-drys. What kind of person actually needs £20 million for spending money? The Toxic Wife, that's who.

Such was the furore earlier this year over my identification of Toxic Wife Syndrome in the pages of the Telegraph that it is clear I have hit a raw nerve. From the staggering response, from Japan to Iraq and America to Berkshire (where my article is now framed in the gentlemen's loo of a Lambourn pub), there...
link

terça-feira, 20 de março de 2007

CONHECIMENTO, TEORIA E TENSÃO
ENTRE CONHECIMENTO LOCAL E UNIVERSAL


Por me parecer muito esclarecedor, e por ter sido publicado na revista Time, de radicalismo notório, já citei em outras ocasiões, e voltarei a fazê-lo, o artigo de John Elson, intitulado The Millennium of Discovery. How Europe emerged from the Dark Ages and developed a civilization that came to dominate the entire world (“O Milénio da Descoberta. Como a Europa emergiu da Era das Trevas e desenvolveu uma civilização que acabou dominando o mundo inteiro”) . É de lá que procedem estas linhas: “O triunfo do Ocidente representou, de muitos modos, uma vergonha sangrenta – uma história de atrocidade e de rapina, de arrogância, cobiça e poluição ecológica, de desprezo insolente por outras culturas e intolerância para com credos não-cristãos.” Só num ponto deve ser modificada esta sentença verídica e rude: o uso do tempo verbal no passado. Tal história não é somente o que “o triunfo do Ocidente” foi, mas sim o que continua sendo para o resto do planeta. Há tantos exemplos recentes, que nos sentimos dispensados de lembrá-los. Nos últimos tempos, vem-se generalizando a prática de usar, em lugar de Oeste, ou Ocidente, o vocábulo Norte, o que transforma os outros países, por exclusão binária, no Sul. Como no caso anterior, não faz sentido apegarmo-nos ás origens geográficas. No caso, trata-se de diferenças estruturais, e não topográficas.

Os colonizadores costumavam contar, entre os povos oprimidos, com intermediários para os quais a divisão resultava, e continua resultando, bastante proveitosa. Para dizer tudo isso com os termos de alguém tão inconfundivelmente defensor de nossos valores, como Darcy Ribeiro, que os emitiu precisamente em seu livro, ao qual ainda voltarei, “o atraso da América Latina não é natural nem necessário; ele só existe e persiste porque temos sido coniventes com os seus fatores causais. [....] Não há como descartar a conclusão de que as causas estão em nós próprios, não em carências naturais, inatas ou históricas, mas em conivências que são nossa culpa. // Com efeito, ninguém duvida hoje de que o projeto de exploração colonial e neocolonial da América Latina – tão desastroso para os nossos povos, que pagaram o seu custo em opressão, penúria e dor – foi extremamente bem sucedido para os que o comandaram e dominaram como classes dominantes. [....] // Foi o nosso projeto classista de prosperidade que nos induziu, ao sair da dominação colonial, a buscar novas sujeições, porque esta era a forma de manter e ampliar velhos privilégios. [....] Tudo isso para gerar excedentes, para alimentar regalias de uma nata social superprivilegiada, na qual a intelectualidade conseguiu sempre incluir-se.”
in: roberto fernandéz retamar - sociedade do conhecimento X economia do conhecimento (link)

domingo, 18 de março de 2007

PULITZER PRIZE
















La imagen de ese buitre acechando a una niña moribunda en África le persiguió en vida. Con ella atrapó el Pulitzer, pero también la maldición de una pregunta: “¿Qué hiciste para ayudarla?”. A Kevin Carter, cronista gráfico de la Suráfrica del ‘apartheid’, la presión le empujó al suicidio. Un periodista testigo de aquellos años rememora su figura.

Un hombre blanco perfectamente bien alimentado observa cómo una niña africana se muere de hambre ante la mirada expectante de un buitre. El hombre blanco hace fotos de la escena durante 20 minutos. No es que las primeras no fueran buenas, es que con un poco de colaboración del ave carroñera le salía una de premio, seguro. Niña famélica con nariz en el polvo y buitre al acecho: bien; no todos los días se conseguía una imagen así. Pero lo ideal sería que el buitre se acercara un poco más a la niña y...

LINK & LINK & LINK

LOS DESAPARECIDOS























El Museo del Barrio, New York’s premier Latino and Latin American cultural institution, will present The Disappeared (Los Desaparecidos) from February 23 – June 17, 2007. This traveling exhibition, organized by the North Dakota Museum of Art and curated by Laurel Reuter, brings together visual artists’ responses to the tens of thousands of persons who were kidnapped, tortured, killed and “vanished” in Latin America by repressive right-wing military dictatorships during the late-1950s to the 1980s.

The Disappeared (Los Desaparecidos) gathers 14 contemporary living artists from seven countries in Central and South America (Argentina, Brazil, Chile, Colombia, Guatemala, Uruguay and Venezuela), all of whose work contends with the horrors and violence stemming from the totalitarian regimes in each of their nations during the mid- to late-20 th century. Some of the artists worked in the resistance; some had parents or siblings who were disappeared; others were forced into exile. The youngest were born into the aftermath of those dictatorships. And still others have lived in countries maimed by endless civil war. These artists whose work is represented in the exhibition are Marcelo Brodsky , Luis Camnitzer , Arturo Duclos , Juan Manuel Echavarría , Antonio Frasconi , Nicolás Guagnini , Nelson Leirner, Sara Maneiro , Cildo Meireles , Oscar Muñoz , Ivan Navarro , Luis González Palma , Ana Tiscornia and Fernando Traverso . Also included is a collaborative installation Identity/Identidad by a collective of 13 Argentinean artists.

The range of visual languages -- drawings, prints, photographs, installations and mixed media -- incorporated in The Disappeared (Los Desaparecidos) frequently employs similar forms to evoke the presence of the missing person or persons. Bodies, faces, personal possessions and names, often methodically compiled and arranged, appear both boldly and subtly throughout the work in the exhibition. “Through their intense visual and emotional impact, these works communicate the unspeakable and reveal the artist’s assumed role of social responsibility towards ending the silence surrounding these extreme cases of human rights violations,” says Julián Zugazagoitia, Director of El Museo del Barrio. “In this context of public awareness and education through art, El Museo, as the only venue in the Eastern United States for this internationally traveling exhibition, aims to assemble as broad an audience as possible to confront and preserve the memory of these recent historical tragedies.”

LINK


sábado, 17 de março de 2007

HAVE YOU?
















fotos - fernando gonçalves

HAVE YOU?

HAVE YOU?

sexta-feira, 16 de março de 2007

TENHAM UM MUITO BOM DIA


















about sara macel (link)



NÓS POR CÁ TODOS BEM

Temas do rectângulo

Quando da próxima vez levantarmos a voz contra os "fracos reis" que nos governam,
tenhamos a coragem de reconhecer neles a triste imagem da "fraca gente"
em que nos deixámos transformar.
viriato soromenho marques - visão 18.5.2006

ISTO PROMETE

Segundo o matutino local Koelner Stadt Anzeiger, citado pela Lusa, Dammann (substituto de Pinamonte no S.Carlos) "faz bem em sair [da Ópera de Colónia]": o prolongamento do seu contrato após Agosto de 2009, escreve o jornal alemão, não estaria, de todo, garantido.
Comos sucesso ficam registados Hensel e Gretel, um espectáculo típico de Natal, e Cosi Fan Tutti, de Mozart, ambas aplaudidas pela crítica. Mas no geral, Schwering pensa que Daman não foi capaz de tirar a Ópera de Colónia da mediocridade em que se encontra há já alguns anos, embora reconheça que os meios que teve também não ajudaram".
in: diário de notícias de 16.3.2006

Na sequência do anúncio da sua saída da ópera dos teatros de Colónia, o diário local Koelner Stad Anzeiger punha ontem a questão preto no branco: "Christoph Dammann deixa a Ópera de Colónia antes do fim do seu contrato. Faz bem, para evitar a humilhante desmontagem que teria pela frente", diz o diário alemão.
in: jornal público de 16.3.2007

Mas afinal, aqui para nós, onde está a surpresa?

Afinal a dupla que "governa" o Ministério da Cultura só sabe rodear-se de gente medíocre e que não conteste as "iluminadas" decisões do par.

A partir daí, é o "fartar vilanagem".

Mas essas são outras estórias...


quinta-feira, 15 de março de 2007

TENHAM UM MUITO BOM DIA























about elena dorfman (link)



NÓS POR CÁ TODOS BEM

Temas do rectângulo

Quando da próxima vez levantarmos a voz contra os "fracos reis" que nos governam,
tenhamos a coragem de reconhecer neles a triste imagem da "fraca gente"
em que nos deixámos transformar.
viriato soromenho marques - visão 18.5.2006

DE VITÓRIA EM VITÓRIA, ATÉ À DERROTA FINAL.

Que avaliação faz desta ministra da Cultura?
- Não posso fazer, nunca tive uma reunião franca para discutir as minhas preocupações.

E sobre o secretário de Estado?
- Não tivemos um diálogo leal.
in:jornal público de 15.3.2007


Aquilo que o Partido Socialista e o seu Secretário-Geral, e Primeiro-Ministro, parecem não querer entender é que aos poucos e poucos vão semeando sementes de desencanto e frustração junto dos seus apoiantes.

Deste Governo e deste Partido Socialista não são de esperar comportamentos como os protagonizados pela actual equipe do Ministério da Cultura ou dos seus representantes na Câmara Municipal de Lisboa.

É patético assistir ao "nascimento" de um blogue protagonizado pelo actual Ministro da Administração Interna, António Costa, no qual não são admitidos comentários, ou do novo blogue de Dias Batista, vereador da Câmara Municipal de Lisboa, no qual os comentários só são publicados após apreciação pelo "dono" do blogue.

Estes comportamentos relevam da distância que separa estes personagens do mundo real, bem como do seu modelo de pensamento: não gostam de ser contestados, e só aceitam, quando aceitam, as observações préviamente por si escolhidas.

Este Partido Socialista está desde 2005 sem qualquer tipo de actividade partidária, e prepara-se para "render homenagem" ao chefe no próximo sábado, num encontro de uma "coisa" chamada de Novas Fronteiras.

Este Partido Socialista e a camarilha que rodeia alguns dos seus chefes, estão a preparar o caminho para que num futuro próximo (mais próximo do que muitos imaginam) a direita assuma novamente o poder, depois deste Partido Socialista ter feito o trabalho "ingrato" de sanear as contas públicas, como já aconteceu, por exemplo, com Mário Soares.

Este Partido Socialista tem menos de dois anos para preparar o próximo acto eleitoral. (os seis meses da presidência europeia não contam para este campeonato, em princípio...).

Será que vai conseguir?

A avaliar pelo autismo demonstrado, temos sérias dúvidas.

E é pena, porque assim nunca mais deixamos de ser um quintal mal frequentado.

Mas sempre sobram as novelas e o futebol...

A PAZ CINZENTA NO REINO DA ROSA

O DN publicou, na edição de segunda-feira, uma longa entrevista com Augusto Santos Silva, um dos ministros e dirigentes do PS que têm a reputação, merecida, de há muito reflectirem sobre a acção política e a ideologia que a deveria enformar.

Santos Silva faz o balanço previsível (do ponto de vista do Governo) da primeira metade da legislatura, lança dois ou três alertas, suaves, muito suaves, sobre as coisas que têm corrido menos bem e deixa uma resposta sintomática sobre a matéria que, hoje, aqui nos interessa: o quase deserto de reflexão, debate interno e análise crítica que nestes tempos caracteriza o Partido Socialista e as suas áreas periféricas.

Interrogado por Pedro Correia sobre se hoje "falta debate no PS", responde o ministro: "Em 2004, o partido discutiu na praça pública tudo quanto tinha a discutir em matéria de estratégia política e de composição da direcção." Perante a insistência do jornalista ("Foi a última vez que se discutiu alguma coisa no PS?"), o ministro não resistiu à ironia: "Olhe que não, olhe que não... Segundo o DN, discute-se muita coisa no PS - a política de Saúde, o combate ao tabagismo..."

Bem sei que a impopularidade de uma larga fatia do...
in: mário bettencourt resendes - diário de notícias de 15.3.2007 (link)

A INVEJA E A MESQUINHEZ, ESSAS FATAIS DOENÇAS NACIONAIS

..."Mas não. A qualidade não parece ser o critério do momento. Mais depressa a mentira e a manipulação (veja-se a forma despudorada como a saída de Pinamonti foi apresentada como correspondendo a uma demissão, utilizando para tal um extracto fora do contexto de uma das cartas que escreveu a uma ministra que nem merece que se lhe cite o nome). Mais depressa o populismo sem horizontes (que é isso do São Carlos para turismo cultural? Matinés para japoneses?). Ou, pior ainda, mais depressa dirigista e controleira, velha tentação de quem já foi controleiro na vida política e de quem entende que, na cultura, também há uma linha justa.

Por isso o provincianismo. E a inveja, bem evidente noutras situações, como a que também hoje relatamos relativamente ao Museu Nacional de Arte Antiga. Uma directora faz bom trabalho, destaca-se, consegue dinheiro de mecenas? Então pancada para cima, que o palco em Portugal é curto e os mediocres nunca apreciaram quem a seu lado fosse capaz de se destacar.
Em terra de cegos, quem tem um olho é rei. Arranquem-se pois os olhos a todos que não são cegos..."
in: josé manuel fernandes - jornal público de 14.3.2007