Vamos começar este texto como se fora uma fábula (mas é real, infelizmente...)
No longínquo ano de 2002 ou 2003 (não sabemos bem a data, mas vamos saber em breve...), Alexandre Pomar, no Expresso, publicou aquele que a Formiga Bargante pensa ter sido o primeiro artigo sobre o Museu do Chiado/Ellipse Foundation/Pedro Lapa.
Já nessa altura (a Formiga Bargante está prestes, prestes a recuperar esse texto, e assim que o tenha vai sêr publicado aqui) Alexandre Pomar denunciava o carácter promiscuo desta ligação.
Denunciava, e bem, só que não houve qualquer reacção, quer do governo de então, quer da chamada sociedade civil.
E os homens da Ellipse Foundation, ao sentirem que tinham passado o primeiro teste sem grandes problemas, julgaram perceber que tinham caminho aberto para as suas actividades.
E o problema é que tinham razão !
Ninguém actuou, ninguém comentou, ninguém reagiu, ninguém !
Só que (e nestas histórias há sempre um "só que") uma figura mal amada do nosso meio cultural, qual Quixote fora de tempo, resolveu "arremeter" contra a Ellipse Foundation, Pedro Lapa e tantos outros interesses ligados a esta "estória", e voltar a denunciar este escândalo, porque de um verdadeiro escândalo se trata.
E esse Quixote fora de tempo (esta imagem do Quixote tem montes de chique, estamos num centanário do Quixote, não é? a formiga é muito culta... adiante), mas como iamos dizendo, esse Quixote fora de tempo começa a publicar uma série de artigos (quantos?) no Público sobre o tema da promiscuidade Museu do Chiado/Ellipse Foundation, e aí Pedro Lapa comete um erro de morte: responde a Augusto M. Seabra, o tal Quixote fora de tempo.
E comete um erro de morte porque, como comentava um amigo da formiga, se não tem cometido tal erro o Quixote fora de tempo não encontrava moinhos contra os quais lutar.
Mais acrescentou esse amigo que Pedro Lapa não se deve ter aconselhado com o seu outro colega português da Ellipse Foundation (se querem saber o nome vão ao site da Ellipse, seus mandriões...) porque esse "sabidão" jamais responderia a denúncias ou provocações.
Nunca !
Até agora estamos no terreno da inventariação histórica.
Se querem saber um pouco mais dos factos históricos, consultem o Público (o texto de Alexandre Pomar está prometido para publicação aqui na Formiga) ou os vários textos que a Formiga Bargante tem dedicado ao assunto.
Mas agora passemos da história aos dias de hoje.
Como dizem nos aviões em situações de turbulência, aterragem ou descolagem: fasten your seat belt.
Então aqui vamos.
Pedro Lapa, ao longo destes anos, tem andado a visitar galerias de arte internacionais, apresentando-se numa dupla condição: Director do Museu Nacional do Chiado e Representante da Ellipse Foundation.
Em nome da Ellipse Foundation negoceia a compra de uma ou várias peças de artista ou artistas representados pela galeria, e uma vez obtido um preço vantajoso (tudo se negoceia, dos carros em segunda mão à arte...) atira com a bomba atómica: "qual é o desconto que me faz se eu fizer uma exposição deste artista no Museu Nacional do Chiado ?.
No início os galeristas nem queriam acreditar: AS EXPOSIÇÕES DE UM MUSEU NACIONAL SEREM UTILIZADAS COMO MOEDA DE TROCA PARA A AQUISIÇÃO DE UMA PEÇA POR PARTE DE UMA ENTIDADE PRIVADA ?.
Mas rápidamente se deram conta que Pedro Lapa falava verdade, e ainda mais rápidamente passaram palavras entre eles.
E hoje em dia, não só nas reuniões institucionais internacionais se comenta esta situação, como já foi escrito aqui na Formiga Bargante, como no meio profissional da arte internacional a situação é comentada em termos nada abonatórios para Portugal.
Tal nunca tinha acontecido !
Nalguma coisa temos que sêr bons, não é verdade ?
E é aqui que entra o direito à indignação.
Com Pedro Lapa e os seus métodos de actuação já nem vale a pena perder tempo.
De Manuel Oleiro, cúmplice de Pedro Lapa no mínimo por omissão, já não vale a pena falar.
Para já, resta-nos a Ministra da Cultura, que reconduziu Manuel Oleiro.
Não é mais possível à Ministra olhar para o lado, e não vêr nada, não ouvir nada, não se aperceber de nada.
Agora, Senhora Ministra o problema é seu.
Tem um director de um Museu Nacional que utiliza o mesmo, na feliz expressão de Augsuto M.Seabra, como o Museu "Chêz Lapa ao Chiado", e um director do Instituto Português de Museus, que mais não seja por omissão é cúmplice de Monsieur Pedro Lapa (assim é mais chique...).
Portanto, Sra. Ministra, face a esta situação, não há mais almofadas.
Ou, de uma vez por todas, toma mão ao que acontece no Instituto Português de Museus (e o que se passa com o Museu do Chiado não é a excepção do mau governo dos Museus Nacionais, mas sim o caso mais escândaloso...) ou então, o que nos resta ?
Além do direito à indignação, Senhora Ministra,
o que mais nos resta ?
Ficar calados é que nunca !
Sei do caso de um conservador de um museu nacional que gostaria de abrir uma casa de antiguidades e foi de imediato denunciado. Visto esse museu ser frequentemente esquecido (tenho aqui à minha frente o "Plano de actividades do IPM e museus integrados" que refere entre outras coisas as obras que os museus portugueses vão sofrer e omite o museu em causa), é de estranhar como esta intenção (intenção apenas, ainda não estava nada adquirido) de abrir uma loja de antiguidades chegou tão rapidamente ao IPM.
ResponderEliminarA Srª ministra da Cultura deve andar demasiado preocupada em "definir" coisas, mas isso fica para o Belogue, daqui a nada.
O lapa é um napoleão, tem de ser isilado numa ilha,e o melhor é ser nas berlengas, pois aquilo é uma praga, e as pragas devem estar isoladas sem contacto com os outros. senhora ministra veja se começa a ver melhor o que tem para fazer.
ResponderEliminarAnda mesmo ceguinha