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terça-feira, 30 de outubro de 2007

MAIS UM PREGO PARA O CAIXÃO - VI

Exposição não está prevista para Lisboa
"A exposição sobre a vida e obra de José Saramago que abre ao público em Lanzarote no próximo dia 23 de Novembro não está programada para vir a Portugal, disse ao DN fonte ligada ao evento. "Não há datas, nem há qualquer instituição acertada, nem sequer interessada", acrescentou a mesma fonte.

A mostra, que deve permanecer em Lanzarote durante três meses para depois circular por vários países, inclui a exposição de romances que o Prémio Nobel começou mas não chegou a acabar, assim como primeiras edições e edições estrangeiras de muitos dos seus livros".
in: diário de notícias online (link)

Nota do formigueiro: sabemos que a Senhora Ministra prefere Lobo Antunes a Saramago.
Mas trata-se de um Prémio Nobel, carago! (é a pronúncia do norte...)

MAIS UM PREGO PARA O CAIXÃO - V

Este é o país que temos, em 2007
1 - 50% dos portugueses leram um livro.
2 - 24% dos portugueses visitaram um museu ou uma galeria.
3 - 23% dos portugueses assistiram a um concerto.
4 - 19% dos portugueses foram ao teatro.
5 - 9% dos portugueses assistiram a ballet ou ópera.
in: economia da cultura e actividades culturais na UE27

Esta é a Ministra da Cultura que temos, em 2007
“Gostava de ver lançado um grande festival ligado à ópera (...) que fosse o último da temporada europeia. Uma coisa que poderia ter lugar no mês de Setembro”
in: entrevista a Isabel Pires de Lima ao Notícias Magazine.

Siga o enterro...

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

MAIS UM PREGO PARA O CAIXÃO - IV
INGÉNUA? ESTÚPIDA? INCOMPETENTE?

Sendo a cimeira União Europeia/Rússia algo extraordinário na vida do País, não parecia bem virem a Mafra e não termos nada preparado para o efeito" explicou ao Meia Hora Margarida Montenegro, directora do Palácio Nacional de Mafra, que se associou ao evento e preparou uma exposição oficialmente inaugurada por Vladimir Putin na última sexta-feira e que hoje abre ao público em geral.

..."Aproveitando a nossa magnífica biblioteca, a mais importante do século XVIII, fizemos um levantamento do espólio relativo à Russia e, para nosso grande espanto, encontrámos nada menos do que 800 livros. A Rússia sempre despertou grande interesse no Ocidente, afirmou Margarida Montenegro..."...
in: jornal Meia Hora (link)

Nota do formigueiro: não sabemos o que mais admirar nestes afirmações efectuadas por Margarida Montenegro, directora do Palácio Nacional de Mafra, ao jornal Meia Hora.

"Não parecia bem virem a Mafra e não termos nada preparado para o efeito..."
Mas desde quando é que os directores de Monumentos Nacionais realizam exposições ou outros eventos baseado no critério do "parece bem"?


"Para nosso grande espanto"...
Qual será o trabalho e a reponsabilidade da directora de um Monumento Nacional, que alberga "a mais importante biblioteca do século XVIII" (já agora em comparação com quê:Planeta Terra, Europa, Portugal,Mafra, ou...?) e se permite ficar espantada com a tal descoberta dos 800 volumes sobre a Rússia?

Mas, afinal, onde reside "o nosso espanto"?

Depois de uma exposição no Palácio Nacional da Ajuda, tendo como base o Hermitage e cujo comissário, Fernando Baptista Pereira, afirmou ao jornal Expresso (link)"Quando os russos virem a exposição vão ficar muito satisfeitos com o carácter verdadeiramente espampanante que ela vai têr" qual é o motivo do "espanto"?

Mas, quer Margarida Montenegro quer Fernando Baptista Pereira, limitaram-se a seguir o exemplo da "patroa".

“Gostava de ver lançado um grande festival ligado à ópera (...) que fosse o último da temporada europeia. Uma coisa que poderia ter lugar no mês de Setembro”
in: entrevista a Isabel Pires de Lima ao Notícias Magazine.

Para um país que é o último na Europa a 27 nas práticas culturais (link), tudo bate certo.

Venha a Ópera (com letra grande, que o respeitinho é muito bonito...), venha o Hermitage, venha Mafra e a sua Directora, mais o Museu do Mar da Língua Portuguesa, mais os passeios de "charrete" na zona monumental de Belém para animar o turismo, venha o novo espaço museológico na Estação do Rossio em Lisboa, venham os Oleiros os Paulos Henriques e os Luises Raposos de seviço.
Venham todos juntinhos, que ao molho é mais barato...

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MAIS UM PREGO PARA O CAIXÃO - III

A Propósito do Novo Hermitage de Lisboa

"La idea del museo como espacio de recogimiento dedicado a la muestra y contemplación de obras de arte ha dado paso hoy a un nuevo modelo de museo: algo que se construye para regenerar espacios, promover turismo o lograr réditos políticos".

..."- ¿Cómo son en su opinión los museos del siglo XXI?
- Conviven hoy dos modelos de museo: los que mantienen una pretensión de mostrar colecciones al público, como el MACBA de Barcelona, y otro tipo, que creo que es el que está imperando ahora, que consiste en levantar una infraestructura para regenerar una ciudad y atraer turismo, con lo que se construye esa infraestructura en busca de objetivos extraculturales.
- ¿Cuáles?
- Objetivos urbanísticos, económicos, de relaciones públicas. Que la gente acuda a esa ciudad a congresos, que los políticos se relacionen con empresas a través de patrocinios, que surja una especie de red que favorezca a la ciudad y cree poder"...
Continuar a lêr AQUI

sábado, 27 de outubro de 2007

MAIS UM PREGO PARA O CAIXÃO - II

AS PALAVRAS DOS OUTROS
Luis Costa

..." À parte este sinal de que José Saramago e as suas teses iberistas começam a ter alguns adeptos (e só neste caso são logo seis milhões, pelo que se diz), descortinam-se outros bons ventos vindos de Espanha. Por exemplo, que a nova Direcção do Museu Rainha Sofia vai resultar de um concurso público com regras e critérios pré-definidos, a gerir por um comité de especialistas previamente aprovado pelos responsáveis do museu, cuja opinião nesta matéria, pelo menos, se sobrepõe à do próprio Ministério da Cultura.

Naturalmente, lembrei-me logo das interferências políticas e partidárias que rodearam a recente mudança de Direcção no Museu Nacional de Arte Antiga. Se os serviços de "clipping" da ministra Isabel Pires de Lima andarem distraídos, terei todo o gosto em enviar-lhe, por fax ou e-mail, a notícia do "El País" a que me refiro".
link

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

MAIS UM PREGO PARA O CAIXÃO - I

AS PALAVRAS DOS OUTROS
Carlos Fiolhais

"Abriu ontem, com pompa e circunstância, no Palácio da Ajuda, uma exposição sobre os czares russos: De Pedro, o Grande, a Nicolau III - Arte e Cultura do Império Russo nas Colecções do Hermitage. A mostra insere-se num conjunto de três que visam a instalação em Lisboa de um pólo permanente do Museu Hermitage, de São Petersburgo, a cidade fundada em 1703 por Pedro, o Grande".

..."Poderia pensar-se que a Federação Russa nos está a ajudar, enriquecendo-nos culturalmente ao facultar os seus excelentes tesouros.De facto é ao contrário: é Lisboa que, armada em "nova rica", ajuda Moscovo. A exposição, que custou 1,5 milhões de euros, é paga integralmente por nós, com dinheiros públicos através do Ministério da Cultura e do Turismo de Portugal quer com dinheiros privados através do Millennium BCP (é com o dinheiro dos clientes, que também foi dado ao filho do fundador) e da Portugal Telecom"...

..."A Inglaterra, que é mais rica do que nós, acaba de anunciar, por falta de dinheiro, o fecho do pólo do Hermitage em Londres"...

..."- Quando os russos virem a exposição vão ficar muito satisfeitos com o carácter verdadeiramente espampanante que ela vai têr -, disse ao Expresso Fernando Baptista Pereira, o comissário local. Eu irei ver, até porque estou curioso por saber como é mostrada a presença lusa na corte dos czares (Ribeiro Sanches foi médico de Catarina II em São Petersburgo), mas não sei se vou ficar satisfeito. Espampanante? O novo-riquismo sempre foi saloio.
in: jornal público de 26.10.2007 (link não disponivel)