quinta-feira, 17 de maio de 2007

NO COMMENTS - I

O papa Bento 16 ignorou a realidade brasileira nos cinco dias de visita ao país, na avaliação de especialistas em Vaticano ouvidos pela BBC Brasil.

Segundo esses analistas, os discursos do papa demonstraram que ele não consegue entender o pluralismo religioso existente no Brasil e o conceito mais abrangente de família, além de não reconhecer o processo sangrento que marcou o início da evangelização na América Latina.

O último discurso do papa, na abertura da 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe, em Aparecida (SP), foi considerado o pior deles.

“Ele começou dizendo que o Brasil nasceu cristão e terminou afirmando que nunca existiu um ataque à cultura pré-colombiana na América Latina. A história do genocídio dos indígenas parece completamente desconhecida por ele”, disse Ettore Masina, escritor e especialista em assuntos do Vaticano.

Para o vaticanista Giancarlo Zizola, foi “uma gafe maior do que a cometida contra os muçulmanos durante viagem à Alemanha no ano passado”.

Segundo Zizola, o papa deveria ter pedido desculpas às culturas “massacradas pelo cristianismo”.

“Sem esta autocrítica, o discurso da Igreja é frágil, não pode se tornar significativo para o povo latino-americano. O objetivo de ter um contato maior com a América Latina é um projeto que nasce falido.”

No discurso, Bento 16 disse que “o anúncio de Jesus e de seu Evangelho não supôs, em nenhum momento, uma alienação das culturas pré-colombianas, nem foi uma imposição de uma cultura estrangeira”.
in: bbc - brasil (link)

NO COMMENTS - II

BREVÍSSIMA RELAÇÃO DA DESTRUIÇÃO DAS ÍNDIAS (1542)
"Descobriram-se as Índias (América do Sul e Central) no ano de mil quatrocentos e noventa e dois. No ano seguinte foram elas povoadas por cristão espanhóis (segunda viagem de Cristóvão Colombo), de forma que há quarenta e nove anos (recorde-se que a BREVÍSSIMA foi escrita em 1542) para elas foram grande cópia de espanhóis, e a primeira terra aonde entraram a fim de a povoarem foi a grande e fertilíssima ilha Espanhola (Haiti), que tem seiscentas léguas em redor".

"Nestas mansas ovelhas, e com sobreditas qualidades dotadas pelo seu Feitor e Criador, entraram desde logo os espanhóis, mal as conheceram, como lobos e tigres e crudelíssimos leões famintos de muitos dias. E outra coisa não fizeram de há quarenta anos a esta parte, até hoje, e no próprio dia de hoje não fazem senão despedaçá-las, matá-las, angustiá-las, afligi-las, atormentá-las e destruí-las por vias estranhas e novas e várias nunca vistas nem lidas nem ouvidas formas de crueldade, das quais mais adiante umas poucas hão-de dizer, a tal ponto que havendo na ilha Espanhola perto de três milhões de almas, que vimos, ali não há hoje de seus naturais duzentas pessoas".

"Entravam pelas aldeias, não poupando crianças nem velhos, nem sequer mulheres prenhas a quem rasgavam o ventre e faziam em pedaços, como se dessem com cordeiros metidos em seus redis. Faziam apostas sobre quem de um só golpe havia de abrir ao meio um homem, ou lhe cortaria a cabeça com uma espadeirada ou lhe poria fora as entranhas. Tomavam pelas pernas as crianças de mama do seio de suas mães, e atiravam com elas contra os penedos, de cabeça".
Frei Bartolomé de las Casas - Brevíssima relação da destruição das Índias - Edição Antígona 1997

BORN IN THE U.S.A.
Fotografia e política americanas























about lori nix (link)

HOMETOWN: BAGHDAD

An ongoing documentary web series following the lives of a few Iraqi 20-somethings trying to survive in Baghdad.

The everyday life of the Iraqi citizen has been the great untold story of the Iraq war.

The Distribution
The brave Iraqi subjects and crew risked their lives every time they turned on a camera to make this series. They want to show the world what life is like when your hometown is a war-zone. We believe that people who see their stories will want to share them with others. That's why we're distributing the series online. So please - watch the videos, rewatch them, tell friends about them, comment on them, and link to them.

The Language
The intention of the Iraqi filmmakers and subjects was to show the world what Baghdad is truly like. That's why they usually speak English and not Arabic.

LINK

NÃO PERCAM ESTE LINK!

quarta-feira, 16 de maio de 2007

TENHAM UM MUITO BOM DIA
















about christian patterson (link)


NÓS POR CÁ TODOS BEM

Temas do rectângulo

Quando da próxima vez levantarmos a voz contra os "fracos reis" que nos governam,
tenhamos a coragem de reconhecer neles a triste imagem da "fraca gente"
em que nos deixámos transformar.
viriato soromenho marques - visão 18.5.2006

vai tu!

Uma leitura recente ligada ao Impressionismo (movimento artístico de ruptura, para mim que os considero a todos de ruptura) levou-me a escrever este post. Encimado pelo título/recado “vai tu”, quase a fugir para a ofensa se o antecedermos do verbo adivinhado e que contém o vernáculo (irreproduzível), serve de resposta ao crítico de arte Louis Leroy que classificou (pensou ele que com sentido pejorativo), a pintura de um novo grupo de artistas.
Proust na literatura (denso), e Debussy na música (não, não é música de elevador), já deviam ter antecedido a tendência pictórica se não o fizeram o próprio air du temps, aliado à joie de vivre de uma Europa repleta de conflitos internos (A Polónia. combatia a Alemanha em Poznan, os ingleses defrontavam os irlandeses em Dublin, Milão contra a Áustria. A França estava calma, mas em 1848, um novo conflito eclodiu, o que fez fervilhar a Europa) e que fazia orelhas de mercador mergulhada naquilo a que tão convenientemente se apelidou de Belle Epoque, fizeram-no. Pela Europa, por eles, mas não pela arte. É que este é talvez o primeiro movimento artístico (e já não era sem tempo uma vez que nos encontrávamos às portas do século XX e o Modernismo pedia a diferença) em que a individualidade do artista é mais premente que a temática ou o respeito pelas exigências da encomenda. André Malraux refere-se a um retrato realizado por Manet como tendo mais do artista do que do retratado.
O Impressionismo quebra o ciclo de tese – antítese – síntese, bem como a ideia de inspiração demiúrgica do artista, e mesmo no que concerne ao leitmotif da pintura. Sucedendo ao Realismo, o Impressionismo deveria, segundo a ordem “natural” até aí vigente, caracterizar-se por ser um movimento mais plástico, mais orgânico e emotivo. No entanto, não sendo interventivo socialmente, não se acomoda. Não cultiva a ideia romântica do sofrimento do artista como potenciador do génio. Courbert, o realista, foi preso por ter destruído a Coluna Vendôme durante a Comuna de Paris, Miguel Ângelo morreu na miséria, Caravaggio desapareceu numa praia, mas os impressionistas tiveram vidas plácidas. À excepção de Van Gogh que se suicidou com um tiro dois meses após ter deixado o internamento de um ano num manicómio e numa das alturas mais profícuas da sua vida (em termos de volume de trabalho), todos os outros impressionistas tinham vidas normais ou que contrariavam esta tendência. Degas vinha da classe média-alta, Manet de uma família bem relacionada, Toulouse Lautrec tinha sangue real e Cézanne de uma família próspera. Por outro lado, Gauguin abandonou a família para pintar no Taiti e Monet tentou suicidar-se devido a dificuldades financeiras. O Impressionismo destaca-se também pela liberdade que o artista alcança, e a aleatoriedade conferida pela percepção humana, com que concebe. Os impressionistas pintam não o que lhes mandam, por obrigatoriedade da encomenda, mas o que vêem e com as técnicas mais avançadas (há altura), para as verem. Estudam os contrastes de luz e sombra, percebem o efeito visual da separação das pinceladas, compartimentam a cor recorrendo os contornos negros, pintam a vida moderna em flashes fotográficos inspirados primeiro por Niépce e depois por Nadar. Não procuram chocar, mas fazem-no várias vezes. Não pela exposição da verdade na temática, mas porque não se curvaram no seu fazer perante as primeiras recusas para mostrarem em exposições creditadas a sua obra, e porque mostraram ao público a verdade técnica que está na base de uma obra de arte.

Nota: Ao contrário de Courbert os impressionistas conseguiram evitar a mobilização para a Guerra Franco-Prussiana. Anos mais tarde os cubistas agiram como Courbert e partem para a guerra. Braque e Derain foram mobilizados, Picasso esquivou-se e Apollinaire portou-se como um herói. Nada o obrigava a alistar-se por ser estrangeiro (a mãe era polaca e o pai italiano). Morreu no dia do armistício.
(isto sem imagens é mais aborrecido, bem sei)

PARA PERCEBER OS "JOGOS" NA CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA

As práticas menos claras que a Câmara Municipal de Lisboa tem protagonizado, no que ao Urbanismo diz respeito, não nasceram com a vereação agora demitida.

É uma história longa, anterior ao 25 de Abril, e na qual os partidos que entretanto governaram a CML têm a sua dose de responsabilidade, com particular evidência para o PS e o PSD.

Em 2004 José António Cerejo publicou no jornal Público uma investigação que, por estas bandas, se considera uma peça antológica sobre as práticas das várias vereações relativas a uma empresa de construção, a Bernardino Gomes.

Por se tratar de um texto indispensável para quem se interessa por estas "ninharias", passamos a fazer a sua transcrição integral (embora um pouco longa), deixando, no final, uma pequena nota de actualização ao texto de José António Cerejo.

O Milagre da Multiplicação dos Direitos de Construção
Por JOSÉ ANTÓNIO CEREJO
Sábado, 06 de Março de 2004

Faz agora 33 anos. Dois pequenos empreiteiros compraram um lote com 2.065 m2 na íngreme encosta da Graça, em Lisboa, mesmo por baixo da igreja da freguesia e do miradouro fronteiro. Nessa altura, a câmara admitia a possibilidade de ali autorizar a construção de um total de 2.494 m2 de habitação.

Com base neste pressuposto, e porque o executivo entendeu que a encosta devia ser preservada, a câmara e os proprietários iniciaram em 1975 um longo processo de negociações. E nas décadas seguintes, um desses proprietários - João Bernardino Gomes, que entretanto se tornou um dos maiores empresários do país nos ramos imobiliário e hoteleiro e teve o ex-ministro Vera Jardim como sócio em várias empresas - conseguiu obter das sucessivas maiorias camarárias os terrenos e as licenças com que viria a construir dez vezes a área a que tinha inicialmente direito.

Tudo sem pagar quaisquer taxas urbanísticas e entregando à câmara pouco mais de 3.600 contos como compensação dos 11.383 m2 de habitação e serviços e dos cerca de 10.000 m2 de estacionamento que construiu a mais. E isto quando, de acordo com as regras então em vigor, essas compensações deveriam ter ascendido, aos preços dos anos 70 e 80, a muitas dezenas de milhar de contos.

Quando Bernardino Gomes e o sócio adquiriram a estreita faixa de 2.065 m2 que sobe a pique da Rua dos Lagares até ao Largo da Graça, em Março de 1971, a capacidade construtiva deste lote ficava-se pelos 2.494 m2, a distribuir por dois edifícios novos - um previsto para a base da encosta, no lugar de um palacete em ruínas que ali existia, e o outro para o topo.

Na sequência de várias tentativas dos proprietários para aumentarem esta edificabilidade, a câmara indeferiu em 1973, para não desfigurar a colina, mais um projecto que apontava para a construção de 4.875 m2 acima do solo, quase o dobro do que estava autorizado, e de 1.970 m2 em estacionamento subterrâneo, num total de 6.845 m2.

Já em 1975, Bernardino Gomes começou a pressionar a autarquia com a alegação de que estava em risco de falir por não poder construir na Graça. Sensibilizado, apesar de se estar em plena euforia revolucionária, o presidente da Comissão Administrativa do município chegou a despachar no sentido de que se devia passar imediatamente a licença de obras "para não se incorrer no crime de levar à falência um empreiteiro".

Nessa ocasião, um dos responsáveis pelos serviços de Urbanismo travou o autarca e defendeu que este caso era "um dos tais em que nunca se deveria ter encarado a construção". E, para resolver o problema, sugeriu a realização de uma permuta de terrenos entre a câmara e os proprietários, por forma a "tentar salvar o que era possível" da encosta da Graça.

Mãos largas no Restelo para poupar a Graça

Logo no ano seguinte, a Comissão Administrativa aprovou a troca dos 2.065 m2 desta parcela por dois lotes municipais situados ao cimo da Rua dos Jerónimos, com um total de 1.623 m2. De acordo com um estudo de loteamento já aprovado pelo Governo, poderiam ser aí construídos 5.624 m2 de habitação, comércio e escritórios, bem como 1.728 m2 de estacionamento subterrâneo, o que totalizava 7.352 m2.

Partindo do princípio de que os dois empreiteiros tinham um direito de construção de 6.845 m2 na Graça - o que não era verdade visto o projecto que os previa ter sido indeferido em 1973 -, os serviços camarários fizeram as suas contas (ver caixa) e concluíram, depois de descontar as indemnizações que entenderam serem-lhes devidas, que o município tinha a receber 365
contos.

Formalizada em escritura pública de 1978, com Aquilino Ribeiro Machado como presidente da câmara, e numa altura em que do palacete da Graça só restavam algumas paredes, ficou estabelecido que, em caso de lhes vir a ser autorizada uma área de construção superior aos referidos 7.352 m2, os empreiteiros teriam de compensar o município de acordo com o critério que então vigorasse.

Chegados aqui, os proprietários, mediante o pagamento de 365 contos, já tinham assegurado um acréscimo de direitos de construção acima do solo equivalente à diferença entre 2.494 m2 e 5.624 m2, ou seja, 2.130 m2. Quatro anos depois, no final de 1982, Bernardino Gomes requereu autorização para construir nos lotes da Rua dos Jerónimos e logo a seguir comprou ao sócio a
parte que lhe coubera na permuta com a câmara. Os projectos então apresentados previam dois imóveis de 11 e 13 pisos com um total de 11.481 m2 acima do solo, mais que duplicando os 5.624 m2 estabelecidos com a troca dos terrenos.

Consultado o Instituto Português do Património Cultural (IPPC) - organismo que antecedeu o actual Ippar (Instituto Português do Património Arquitectónico) -, este considerou a proposta "inaceitável" por excesso de volumetria e informou a câmara em Junho de 1984. Apesar disso, o presidente da câmara, Kruz Abecasis, deferiu os projectos, argumentando que a resposta do IPPC tinha chegado fora do prazo legal. E no ano seguinte, aplicando as condições da permuta, os serviços camarários fixaram em 63.260 contos o valor da compensação a pagar pelo empreiteiro em função do aumento da área de construção de 5.624 para 11.481 m2.

Inconformado, Bernardino Gomes contestou o cálculo e conseguiu a redução daquele montante para 47.180 contos. Posteriormente, obteve o acordo de Abecasis para pagar a maior parte deste valor com infra-estruturas avaliadas em 39.982 contos - que nunca chegou a construir (ver caixa) -, e solicitou autorização para pagar em três prestações semestrais e sem juros uma parte dos 7.198 contos restantes. Motivo: a crise do sector imobiliário e a demora na aprovação dos projectos. Daquele total, contudo, só viria a pagar 3.264 contos.

Sampaio fechou os olhos nas Torres dos Jerónimos

Em Janeiro de 1986, a câmara emitiu as licenças de construção dos dois edifícios e as escavações foram iniciadas, desencadeando uma enorme polémica que se arrastou durante anos, na imprensa e nos tribunais, e que ficou conhecida como o caso das Torres dos Jerónimos. Surpreendido pela abertura de um enorme buraco destinado à construção das caves dos edifícios, o IPPC, então presidido por António Lamas, embargou os trabalhos, sustentou que o deferimento dos projectos era "absolutamente nulo por ostensiva violação da
lei" e solicitou ao tribunal administrativo a declaração da sua nulidade.

Em Dezembro de 1989, dias depois de Abecasis ter perdido as eleições a favor de Jorge Sampaio, o tribunal deu razão ao IPPC e anulou o deferimento dos projectos. António Lamas alertou então o novo presidente da câmara para o que se passava, mas este nada fez para alterar a posição da autarquia. Pelo contrário, mandou para o Supremo Tribunal Administrativo um recurso com o qual o município se juntou aos que Bernardino Gomes já interpusera contra a anulação dos deferimentos.

Pouco antes, no final de Novembro, a câmara havia aprovado por unanimidade uma proposta de Abecasis com o objectivo de compensar o construtor pelos prejuízos decorrentes das posições do IPPC, "nomeadamente os danos e lucros cessantes motivados pela paragem das obras, honorários de advogados, custos financeiros e de projectos". Para isso decidiu ceder a Bernardino Gomes duas parcelas camarárias com um total de 2.268 m2, contíguas aos lotes em que o empreiteiro tinha a obra embargada, para que este pudesse construir no conjunto do terreno a totalidade dos m2 deferidos em 1984.

Além disso, e com vista a indemnizar o construtor pela "imobilização dos capitais investidos" antes do embargo, a autarquia deliberou entregar-lhe um lote para construção com 425 m2, situado na Rua Ramalho Ortigão nº 43, no coração do Bairro Azul. Às parcelas a ceder na Rua dos Jerónimos a câmara atribuiu o valor de 69.770 contos e uma capacidade construtiva de 7.534 m2 acima do solo. Ao lote da Ramalho Ortigão foi atribuído o valor de 82.620 contos e uma capacidade construtiva de 1.677 m2. E a deliberação foi ratificada pela Assembleia Municipal em 4 de Janeiro de 1990, com os votos contra do PCP e as abstenções do MDP e do PPM.

Compensar o promotor "na medida do possível"

Dias depois, em vésperas de deixar a presidência e já depois de o tribunal ter declarado nulos os despachos que levaram ao licenciamento das obras embargadas pelo IPPC, Abecasis e Bernardino Gomes assinaram a escritura de "dação em pagamento" através da qual o município, no seguimento da deliberação aprovada, pretendia "compensar na medida do possível" o promotor pelos "vultuosos prejuízos" sofridos e pela frustração dos "direitos e
expectativas" que lhe criara.

Nesse ano, com base naquela escritura, o empreiteiro começou a negociar com o executivo de Jorge Sampaio e com o IPPC os novos projectos que lhe permitiram construir na totalidade dos terrenos com que ficou na Rua dos Jerónimos cerca de 12.200 m2 acima do solo, em prédios de sete pisos, e ainda cerca de 10.000 m2 de estacionamento subterrâneo. Paralelamente avançaram também os projectos para a Rua Ramalho Ortigão.

Logo em Dezembro de 1992, o Supremo Tribunal Administrativo negou provimento aos recursos da câmara e do empreiteiro. Mas esse facto também não motivou qualquer mudança na posição da autarquia.

Bernardino Gomes, sem despender mais um tostão - para lá dos 365 contos pagos em 1978 e dos 3.264 contos que pagou em 1985 e 1986 -, já tinha conseguido assegurar os 12.200 m2 para a Rua dos Jerónimos e mais 1.677 m2 para a Ramalho Ortigão. Valores estes que somam 13.877 m2 acima do solo, mais do que cinco vezes a área que tinha direito a construir quando comprou o talhão da Graça e quase dez vezes mais se se considerarem também os cerca de 10.000 m2 construídos abaixo do solo na Rua dos Jerónimos.

Passados mais dez anos, ultrapassadas parte das reservas que o Ippar foi levantando às diferentes soluções arquitectónicas apresentadas, as obras arrancaram em finais de 2002 no buraco da Rua dos Jerónimos e estão agora praticamente concluídas. Na Ramalho Ortigão o assunto resolveu-se mais depressa (ver caixa) e os seis pisos aprovados por Jorge Sampaio ficaram concluídos em 1997.

Tudo isto por conta de uma fatia da encosta da Graça que, no ano passado, os serviços camarários consideraram que nem servia para construir um silo para estacionamento.

ACTUALIZAÇÃO DO FORMIGUEIRO

" Igualmente estranho foi o silêncio dos representantes das duas propostas mais elevadas, da Sociedade de Construções João Bernardino Gomes, que, de ânimo leve, aceitaram ser preteridas. Bastou a Domingos Névoa subir a parada de 57,171 para 61,950 milhões de euros (o valor mais alto em jogo) para somar à parcela da permuta mais 59 mil metros quadrados, que pretendia transformar num condomínio de habitação com 700 fogos. Note-se que Remédio Pires, director municipal dos Serviços Centrais, agora constituído arguido, participou neste processo,designado por Carmona Rodrigues.

A Bernardino Gomes, empresa que desistira dos terrenos de Entrecampos, acabou por ser a vencedora no outro negócio que está sob investigação da PJ. Trata-se do relativo ao Vale de Santo António, que BE, CDS-PP, PCP e Nuno Gaioso, vereador do PS, ainda tentaram suspender, por não existir plano de urbanização".
in: jornal de notícias (link)

"
Ao JN, Dias Baptista - que juntamente com Natalina Moura viabilizou a operação - justificou a abstenção com o facto de entender que a operação "não tem riscos de maior" e lembrando que operações semelhantes foram levadas a cabo em anteriores mandatos. "Eu tenho memória", disse, justificando ter votado em desacordo com a maioria dos outros colegas de bancada, com quem as relações parecem estar "azedas".
in: jornal de notícias (link)

Estes dois vereadores municipais (Dias Baptista e Natalina Moura) pertencem ao PS, e foi a sua abstenção que viabilizou "o negócio" que, segundo eles, "não tem riscos de maior".
Parece que a Polícia Judiciária tem um entendimento diferente...

Já agora, o que queria Dias Baptista dizer quando afirmou "eu tenho memória"?

ANTÓNIO COSTA, "UM HOMEM DE PARTIDO"

"António Costa, por seu turno, recusava declarações. Só falará de Lisboa depois de sair do Governo, isto é, amanhã. A seguir à reunião da comissão política nacional do PS que aprovou o seu nome por unanimidade e aclamação, reuniu com os líderes do PS em Lisboa: Miguel Coelho, presidente da concelhia, e Joaquim Raposo, presidente da distrital. Na comissão política, segundo o DN apurou, Miguel Coelho sublinhou que a candidatura de Costa deveria ter em conta as estruturas do partido; Costa respondeu-lhe que, como "homem de partido", fará isso".
in - diário de notícias de 16.5.2007 (link).

Para quem alimenta ilusões sobre a candidatura de António Costa, a transcrição acima pode ajudar a clarificar ideias.

Durante os longos anos em que a Câmara de Lisboa foi governada pelo chamado "bloco central" e seus satélites (PCP à esquerda e CDS/PP à direita), as "estórias" acima descritas foram-se acumulando, bem como os "empregos" atribuidos pelos partidos às suas clientelas políticas.

Como é que agora "um homem de partido" (seja ele do PS, PSD ou dos seus satélites) pode chegar à CML e proceder às reformas indispensáveis para tornar Lisboa uma cidade digna desse nome?

Como é que "um homem de partido" vai acabar com os escândalos entretanto revelados, bem como os milhares de "empregos" atribuidos às respectivas clientelas, se durante tantos anos, e pelo seu alheamento e silêncio, foi cúmplice objectivo das "práticas" levadas a cabo pelos seus correlegionários?

Pelo sim pelo não, as "estruturas" já tiveram o cuidado de lhe chamar a atenção para o facto de "a candidatura de Costa deveria ter em conta as estruturas do partido", senão...

Senão, bem, acontece-lhe o mesmo que aconteceu a Manuel Maria Carrilho.

Mas isso são outras "estórias"...

QUEM ASSIM TE AVISA, ANTÓNIO COSTA, TEU AMIGO (NÃO) É.

Dias Baptista (ex-vereador do PS na CML)
"Eu tenho memória".

Miguel Coelho (presidente da concelhia de Lisboa do PS)
"a candidatura de Costa deveria ter em conta as estruturas do partido".

SE NÃO FOR PARA GANHAR...

..." É também nestas pequenas coisas que a eleição de Lisboa é mais do que uma eleição para uma autarquia. Sócrates sabe que esta é uma eleição que tem de ganhar. Só assim se explica que aceite "sacrificar" um dos seus melhores ministros, um dos seus colaboradores mais próximos e mais forte. Como dizia o outro se não for para ganhar..."
in: josé leite pereira - jornal de notícias (link)

Já agora, e aproveitando a boleia, um "link" cá do formigueiro (link)

BORN IN THE U.S.A.
Fotografia e política americanas



















about amy stein (link)

Global Warming: Markets and Democracy

The danger of global warming was recognized in the 1960s, and by the 1980s its effects were already becoming apparent. Yet significant action to limit it has only just begun. Meanwhile, the total amount of greenhouse gases emitted into the atmosphere continues to grow. Why? According to Adam Smith's analysis of the market -- echoed by today's neo-liberals -- each player, by pursuing their own immediate self-interest, brings about the common interest of all. According to Sir Nicholas Stern, former chief economist of the World Bank and author of the British government's "Stern Review" on global warming, "Climate change is the greatest market failure the world has ever seen." As corporations and individuals have pursued their own immediate self-interest, they have brought about a catastrophe of unprecedented proportions. Nor is this just a question of economic ideology. Exxon and other energy companies spent millions of dollars promoting "environmental holocaust denial" not out of its economic principles but because it feared measures to limit the use of fossil fuels might cost it hundreds of billions of...
link

terça-feira, 15 de maio de 2007

TENHAM UM MUITO BOM DIA
















about ryan mcginlay (link)



NÓS POR CÁ TODOS BEM

Temas do rectângulo

Quando da próxima vez levantarmos a voz contra os "fracos reis" que nos governam,
tenhamos a coragem de reconhecer neles a triste imagem da "fraca gente"
em que nos deixámos transformar.
viriato soromenho marques - visão 18.5.2006

É SÓ PARA SABER.

Se António Costa for hoje confirmado como o candidato do PS para as eleições para Câmara de Lisboa, convinha que ficasse muito claro, mas mesmo muito claro, o que fará António Costa no caso de não ganhar as eleições.

Como em democracia nunca há vencedores antecipados, é imperativo que António Costa clarifique esta questão.

Ou teremos, por parte do PS, mais um candidato "toca e foge"?

LISBOA E LONDRES, A MESMA LUTA?

2000
Ken Livingstone, proeminente membro do partido trabalhista inglês, sugeriu a Tony Blair a sua candidatura a "Mayor" de Londres.

Tony Blair, por desconfiar das ambiçõe políticas de Ken, resolveu nomear outro candidato para as eleições.

Ken Livingstone rompe com o Partido Trabalhista (principalmente com Tony Blair) e resolve concorrer como independente.

Ganha as a eleições e é, desde 2000, Mayor de Londres, tendo sido reeleito em 2004, desta vez com o apoio do Partido Trabalhista.

2007
Em Fevereiro deste ano, Helena Roseta propõe a José Sócrates a sua candidatura para a presidência da Câmara de Lisboa.

Não tendo obtido resposta, abandona o Partido Socialista e candidata-se, como independente, à presidência da Câmara.

Julho de 2007
Qualquer que seja o resultado das eleições para a Câmara de Lisboa, nada ficará como estava.

Segundo confessava um dirigente da concelhia de Lisboa do PS, o maior receio que existia dentro do partido era o previsivel "enjoo" dos lisboetas face aos partidos que até então governaram a Câmara, e isto num cenário de eleições em 2009.

Helena Roseta com a sua candidatura vem tentar colmatar esse previsivel alheamento dos cidadãos lisboetas das próximas eleições.

Mais do que o programa, o que vai determinar, quanto a nós, o seu triunfo ou malogro reside na equipe que a acompanhar.

Mas até agora, e relativamente a este ponto, silêncio.

Aguardemos.

ANTÓNIO COSTA, CANDIDATO (?) DO PS À CÂMARA DE LISBOA COMEÇA MAL, MUITO MAL MESMO.

Por decisão do Governo Civil de Lisboa, as eleições para a presidência da Câmara Municipal de Lisboa foram marcadas para 1 de Julho, o que, na prática, coloca sérios entraves à candidatura de Helena Roseta, que tem só até ao final desta semana para obter as 4.000 assinaturas de que necessita para se apresentar às eleições.

Convém recordar que o Governo Civil depende do Ministério da Administração Interna, cujo titular ainda é António Costa, presumivel candidato do PS à mesma Câmara.

Para uma candidatura que pretende "romper com o passado" (voltaremos a este tema...) não começa nada mal!

IMPORTA-SE DE REPETIR?

João Barbosa disse...

segundo o jornal Metro de hoje, os museus e os cinemas são abrigos contra o calor, previstos no plano de contingência do Governo... pensei que também pudesse ser uma política do Ministério da Cultura. Todavia, vai ser bonito ver o número de visitas aos museus a aumentar. Os calores são amigos dos museus.

10:56

LINK



BORN IN THE U.S.A.
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about james nachtwey (link) & (link)