terça-feira, 23 de outubro de 2007

TEDDY CRUZ, CONHECEM?
















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domingo, 21 de outubro de 2007

TENHAM UM MUITO BOM DIA


















about michael kenna (link)

Babel



Edward Hopper

Portugese Church in Gloucester

1923

Jonhson Museum of Art


(…)
E nos domingos a litania dos perdões, o murmúrio das invocações.

O padre que fala do inferno

sem nunca ter ido lá.

Pernas de seda ajoelham mostrando geolhos.

Um sino canta a saudade de qualquer coisa sabida e já esquecida.

A manhã pintou-se de azul.

No adro ficou o ateu,

no alto fica Deus.

Domingo . . .

Bem bão! Bem bão!

Os serafins, no meio, entoam quirieleisão.

(Carlos Drummond de Andrade, “Igreja”)

JACK KEROUAC
12.3.1922 - 21.10.1969























Primeira página do manuscrito do livro On the Road

sábado, 20 de outubro de 2007



REPÚBLICA
POPULAR
DA CHINA

CONHECEM?
CONHECEM?

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

TENHAM UM MUITO BOM DIA

















about matthew sleeth (link)



NÓS POR CÁ TODOS BEM

Temas do rectângulo

Quando da próxima vez levantarmos a voz contra os "fracos reis" que nos governam,
tenhamos a coragem de reconhecer neles a triste imagem da "fraca gente"
em que nos deixámos transformar.
viriato soromenho marques - visão 18.5.2006

E a resposta certa é:

EL CORTE INGLÊS !

25 ANOS DEPOIS - III
No Reino dos Falsos Avestruzes
João Martins Pereira

Os cães de caça (ou os vendedores de mitos)
Quanto a António José Saraiva, que muitos ainda identificavam com o impiedoso libertário do “Maio e a crise da civilização burguesa”, o que os textos de 74-75 não chegavam para desmentir, começa, por voltas de 78 a surgir com artigos de inesperado “realismo” e “sensatez” política, a propósito disto ou daquilo. Em resumo, ia paulatinamente germinando a “intelectualidade de direita” que hoje conhecemos, “consciência infeliz” de uma AD que não correspondeu às suas esperanças.
Com a óbvia excepção de Júdice, que veio, esse, da extrema-direita juvenil (com Lucas Pires, aliás), quase toda esta gente enferma de um talvez incurável “complexo de esquerda”, particularmente evidente num Alçada e num Pulido, menor num Lucena, muito ténue num Saraiva, cuja maior segurança lhe advém de um estatuto intelectual que nenhum dos outros alguma vez conheceu (ou conhecerá) e de um empenhamento muito mais “cultural” do que directamente político. Alçada ainda não digeriu o passo em falso do seu livro sobre Marcelo Caetano, e faz constantemente questão de lembrar o seu passado e os seus amigos de esquerda, por esse mundo. É também patente a “desculpabilização” que lhe provoca a readquirida “sensatez” de velhos militantes de esquerda (ver adiante, a propósito de V.P. Valente, o mito da “boa esquerda de antanho”).Reconforta-se com o facto de Jorge Amado se declarar disposto a apertar a mão ao presidente Figueiredo (“estas declarações de Jorge Amado constituem, mesmo fora da política brasileira, um conforto e uma liçao”), com a conversão à “lucidez” do ex-guerrilheiro brasileiro Fernando Gabeira (“quando era militante de esquerda não andava a discutir o Marx pelas universidades: raptou antes o embaixador dos E. Unidos no Brasil e trocou-o pelos seus companheiros que estavam na prisão” – esta citação é um típico exemplo do “complexo de intelectual”, a que viemos a dedicar algumas considerações). Saúda em Jorge Semprun “ o testemunho dos intelectuais que “se enganaram” e penitencia-se da “ditadura intelectual de esquerda” em que medrou a sua geração (!) e a que deu o seu próprio contributo. A torto e a direito se reclama das suas amizades francesas (Domenach, “son ami” E.Morin), como o fez num penoso diálogo televisivo com uma pobre criancinha, que estava ali para falar e não apenas para o ouvir...
Suspeito que, em contrapartida, não o iremos ouvir falar muito da sua eleição, deliciosamente irónica, para a Academia Brasileira de Letras, onde foi ocupar o lugar de...Marcelo Caetano (pobre compensação para quem já desejou ser Embaixador em Brasília). Tudo se passa como se Alçada nos dissesse: como posso eu ser de direita, se só tenho amigos de esquerda? O que só vem a provar que, ele próprio, tem consciência que é de direita. A Televisão também a tem (e não costuma enganar-se), que tentou dar-lhe o papel de Nemésio, o brilhante e descontraido conversador que o fúnebre e angustiado Alçada nunca podia ser – e não foi – e que o convida sempre que pode para pequenas “rábulas intelectuais”. Pois até foi ele o entrevistado no Telejornal no dia da morte de Sartre, com quem nunca nada teve que ver, ele-discipulo-de-Mounier ( de quem hoje se reclama, mal diga-se, o CDS) ao tempo das grandes obras sartrianas!
In: joão martins pereira – no reino dos falsos avestruzes – editora “a regra do jogo” - 1983

A PRIMEIRA GRANDE INICIATIVA
DO AMANUENSE PAULO HENRIQUES


quinta-feira, 18 de outubro de 2007

TENHAM UM MUITO BOM DIA



















about rudolf koppitz (link)



NÓS POR CÁ TODOS BEM

Temas do rectângulo

Quando da próxima vez levantarmos a voz contra os "fracos reis" que nos governam,
tenhamos a coragem de reconhecer neles a triste imagem da "fraca gente"
em que nos deixámos transformar.
viriato soromenho marques - visão 18.5.2006

UM DOCE A QUEM ADIVINHAR QUEM É QUE
CONVIDA PARA ESTA EXPOSIÇÃO



Amanhã daremos a solução para este passatempo.
E mais, muito mais...

25 ANOS DEPOIS - II
No Reino dos Falsos Avestruzes
João Martins Pereira

Os cães de caça (ou os vendedores de mitos)
O pós-25 de Abril veio clarificar o posicionamento político dos antigos sectores oposicionistas. Como cada um pôde, felizmente, dizer tudo o que lhe ia na alma, começou-se a perceber que a grande "unidade anti-fascista" se desdobrava agora em diversas famílias partidárias. O período que decorre até ao 25 de Novembro não terá, neste aspecto, sido particularmente esclarecedor. A descompressão social foi de tal ordem, o "radicalismo" nas acções e na línguagem tão avassalador, que o simples discurso apelando à razão ou à moderação se via apodado de reaccionário, se não de fascista. Uma boa parte Uma boa parte da intelectualidade fascinou-se com a movimentação popular e com a descoberta de algo até então puramente livresco que era "um exército revolucionário": tornou-se de algum modo "esquerdista", se não "libertária". Outra parte foi-se acolher à sombra tutelar do "Partido", esperando porventura, a partir da célula dos intelectuais, insuflar-lhe uma nova dinâmica e uma maior flexibilidade. Os restantes andaram simplesmente "por aí", a ver em que paravam as modas, os mais conhecidos misturados agora nesse novo "melting pot" que era o Partido Socialista. Todos eles, no entanto, iam escrevendo coisas sobre o povo, o MFA e outros que tais temas próprios do tempo que corria. Enfim, so já no período de "normalização", depois de Novembro, se começam a definir as coisas, lentamente, que a decantação dos sobressaltos e das ideias é morosa como a dos precipitados na análise química. Aqueles para quem a "oposição" era já uma longínqua memória ou nunca mesmo existira, são os primeiros a levantar a cabeça: um Alçada aparece a dirigir "O Dia", um José Miguel Júdice adquire fama no "Diabo". Por essa altura, ainda um Cunha Rego era eminência parda de Soares, um Pulido Valente (ainda no PS) começava a enamorar-se de Eanes - e dar-lhe-ia forte esta inclinação, tempos depois -, um José Augusto Seabra afastava-se de Sá Carneiro a quem acusava de falta de democraticidade, um Barreto era ministro do PS, um Sttau Monteiro mantinha-se "compagnon de route" (se não mais) do PCP. Manuel de Lucena retomava um percurso que alguns textos seus sobre a "questão colonial" anteriores ao 25 de Abril prenunciavam. Em algumas intervenções pontuais ia-se desenhamdo o futuro conselheiro de Soares Carneiro: surpreendeu, à época, a sua defesa de Mota Freitas, o da rede bombista. No plano teórico, desenvolvia ao mesmo tempo laboriosas e intragáveis congeminações, destinadas às "elites" política e intelectual, sobre o corporativismo de antes e de depois do 25 de Abril, tendo como preocupação dominante a "questão de Estado". Estava em gestão o actual cronista permanente e ideólogo destacado do clube de "A Tarde".
in: joão martins pereira - no reino dos falsos avestruzes - editora "a regra do jogo" - 1983

EL MUSEO PERFECTO

La desazón que nos produce la actividad confusa y la desolación de las salas de los museos, no encaja con esa nueva moda teórica de debatir cuál es, cuál debe de ser, el modelo del museo perfecto. Esta idea de trazar un perfil de museo perfecto nos parece, de entrada, prepotente y excluyente. Si partimos de la convicción de que lo perfecto no existe, pero que si existiera sería inevitablemente aburrido, la idea de crear un museo perfecto nos desalienta tanto como nuestros muy imperfectos museos, nos aburre tanto como estos encuentros endogámicos que pretenden dictar modelos de existencia. Por otra parte, crear este artificial debate a partir de un club de amigos, a los que en alguna ocasión has tenido trabajando para ti, es un juego un tanto sucio para que ese perfil de museo perfecto (y aburrido) se parezca al que dirige el inventor del asunto. Una de las conclusiones de las últimas reuniones de los directores de museos españoles con teóricos extranjeros, da un resultado extraño, una excepcional unanimidad en fomentar un modelo de museo vacío, sólo ocupado por unas etéreas ideas que flotan como fantasmas por sus salas vacías, salas en las que no hay público y en las que posiblemente, a no tardar, tampoco haya obras, sólo documentos. El público, el espectador, parece no tener nada que contar. Tal vez nos olvidamos de que los visitantes a los museos somos todos, pero que cada vez somos más nosotros, es decir sólo nosotros. La politización de todos (iba a decir la mayoría pero no son la mayoría, son todos) nuestros museos nos deja un paisaje aterrador. Porque politización no significa solamente que están sometidos a los intereses y vaivenes de unos políticos mayoritariamente ignorantes en materias culturales (no quiero pensar en qué más son ignorantes) que ponen y quitan directores, cambian exposiciones, líneas de actuación, usando el museo como si fuera su sala de juegos. Politización también se puede aplicar cuando los directores de algunos museos usan a éstos y en general a la cultura como una estrategia de poder público o de enriquecimiento personal. Politización debería considerarse también la idea de que...
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quarta-feira, 17 de outubro de 2007

TENHAM UM MUITO BOM DIA























about christopher coppola (link)

O Simétrico, Capítulo IV


(...)
"Pousava com alguma precipitação, estendendo a braço direito na direcção do cabide, o chapéu-de-chuva dois anzóis à frente do chapéu de senhora e ao mesmo tempo atirava o saco com a bata para cima do sofá. Não tinha empregada, mas a casa estava impecavelmente limpa, como se nunca lhe tivesse sido tirado o plástico de protecção, como se acabasse de ser enxertada, isto porque o tempo que por lá deambulava era passado quase sem tocar em nada. A não ser nas plantas, mas para isso tinha reservado uma parte entre a cozinha e a varanda e isto em nada perturbava aquela arrumação programada. Quando arrumava, num dia previamente marcado no seu calendário mental e cuja mudança por um ou outro motivo lhe causava algum mal estar, irritação e até surpresa - pois nunca se imaginava nesse dia num outro local a não ser em casa -, deixava tudo de tal forma irrepreensível, que demorava muito tempo a sujar-se de maneira a ter de estipular outro dia na sua memória. Ficava assim liberto e sentia dessa forma ter cumprido um dever de grande importância, tanto que achava merecer uma recompensa e aí sim, saia para apreciar o que se passava lá fora. Embora achasse que o que lhe interessava, tudo o que o podia fazer feliz estava entre os elementos que compunham aquela arrumação e que interagiam com toda a harmonia, não conseguia deixar de sentir um fascínio por esse mundo de caos que começava para lá da janela.


Ao entrar, coordenava estes movimentos com o abrir do correio que tinha apanhado na porta da entrada na respectiva caixa de correio. Nunca esperava nada de extraordinário e quando lhe surgia algo de inesperado como uma carta de quando em quando de um parente muito afastado, ou uma promoção nova com publicidade cheia de cores e letras apelativas, notava um pequeno desagrado por sentir que havia alguém que não atribuía ao seu momento de refeição a importância de que ele estava certo, esse momento possuir. E quando finalmente todas estas amarras triviais haviam sido rompidas pela força da fome, descansava-a no prato de iscas com arroz de tomate, que preferia malandrinho, mas de que, por hábito inquebrável de preparar o almoço por volta das sete da manhã, via-se obrigado a abdicar. Fazia aquela refeição com todo o método exigido a uma última ceia: sempre o mesmo prato, primeiro o arroz já seco, mas ainda com a temperatura certa para uma fome que se recusava a esperar, e depois as iscas libidinosas no seu molho de cebolada, molho esse cujo brilho o enfermeiro espalhava gulosamente sobre o arroz, para o imaginar malandro tal como gostava e como de facto lhe sabia; o copo de vinho, em quantidade parca para uma refeição que durava sempre cerca de 30 minutos. E depois era a deliciosa repetição dos gestos: o desembrulhar do jornal sem o rasgar, o pousar do prato perto do tacho, em cima da boca do fogão, o servir-se com a grande colher – como se se tratasse de um instrumento maçónico – os dois passinhos que o separavam da mesa e que dava como numa dança, o puxar do banco com o pé, enquanto o resto do corpo se preparava para se sentar naquela superfície ainda em movimento, os dois talheres na mão esquerda, juntamente com o prato, o copo na mão direita e tudo junto ao mesmo tempo a assentar arraiais na toalha branca como uma grande festa de aldeia com duração indefinida."

(...)

25 ANOS DEPOIS - I
No Reino dos Falsos Avestruzes
João Martins Pereira

No próximo mês de Dezembro completam-se vinte e cinco anos relativos à entrega de um original da autoria de João Martins Pereira à editora A Regra do Jogo para publicação de um livro, o qual seria colocado no mercado em 1983, sob o título No Reino dos Falsos Avestruzes – Um olhar sobre a política”.

Ao longo dos próximos dias iremos transcrever um “capítulo” desse livro intitulado Os Cães de Caça (ou os vendedores de mitos).

A actualidade do texto de João Martins Pereira, passados que são vinte e cinco anos sobre a sua feitura, dispensa quaisquer comentários.

Só lamentamos o afastamento de João Martins Pereira.

Homens como ele fazem muita falta a esta nossa embrionária democracia.

Os cães de caça (ou os vendedores de mitos)

“O 25 de Abril trouxe-nos, entre muitas outras coisas, os “intelectuais de direita”. Era lógico que assim fosse, e é mesmo benéfico ao ponto de podermos incluir tal facto entre as “conquistas de Abril”. Com efeito, tirando uma ou outra figura que descuidadamente escorregou na casca de banana marcelista, pode afirmar-se que tudo o que por aí ia de “cabeça pensante” com o mínimo de caco era oposicionista.Claro que ser oposicionista não significava ser de esquerda, mas nessa altura era conveniente manter-se a confusão do melting pot onde todos cabiam, já que o objectivo número um era obter “as liberdades” – coisa importante para toda a gente, e vital para os intelectuais. Dir-se-à que um intelectual de direita dispunha então de toda a liberdade, o que nos restitui à questão de saber por que não existiam.
As razões são várias, mas como me não interessa deter-me neste ponto, mas apenas constatá-lo, direi que só existia verdadeira liberdade para os “intelectuais de extrema-direita” – expressão que é uma autêntica contradição nos termos, tanto a razão é violentada por regimes políticos desse perfil.
Poderá mesmo observar-se que, neste século, os mais influentes “intelectuais de extrema-direita” ou desenvolveram as suas teorias em regimes democráticos (caso típico de um Maurras, de um Sardinha entre nós) ou fizeram da política uma fé, muitas vezes em situações-limite que impõem escolhas simples e extremas (caso dos intelectuais colaboracionistas ou pro-nazis, hoje em boa parte recuperados como “artistas” que eram, não como doutrinadores; um Céline, um Drieu, um Ezra Pound).
in: joão martins pereira - no reino dos falsos avestruzes - editora "a regra do jogo" - 1983

terça-feira, 16 de outubro de 2007

TENHAM UM MUITO BOM DIA
















about pascal maitre (link)



NÓS POR CÁ TODOS BEM

Temas do rectângulo

Quando da próxima vez levantarmos a voz contra os "fracos reis" que nos governam,
tenhamos a coragem de reconhecer neles a triste imagem da "fraca gente"
em que nos deixámos transformar.
viriato soromenho marques - visão 18.5.2006