quarta-feira, 24 de outubro de 2007

AS PALAVRAS DOS OUTROS


O CASO MNAA OU O SERVILISMO EXEMPLAR
AUGUSTO M. SEABRA

..."O que o caso do MNAA revelou foi que sob Isabel Pires de Lima, sob seu directo impulso sem dúvida, naquele território dos museus que é o da sua eleição, há antes uma cultura do servilismo e mesmo da falsidade. O miserando abaixo-assinado de 16 directores de museus demarcando-se de Dalila Rodrigues e o texto de um deles, Luís Raposo (mostrando “trabalho” logo após a sua eleição pelos colegas para o Conselho Nacional de Cultura) foram exemplos de onde chega o servilismo. Mas o prémio da perfídia vai sem contestação para a ministra, a própria, que na tomada de posse do novo director, o obediente Paulo Henriques, afirmou ter sido Dalila Rodrigues afastada por uma “avaliação negativa do seu trabalho”, e que “o museu tinha perdido visitantes no primeiro semestre”, como se o facto não estivesse na ordem das...
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AS PALAVRAS DOS OUTROS

A DESAPARECIDA DA AJUDA
Manuel Falcão

..."ontem à noite entrei no site do Ministério da Cultura e fui ver a área de notícias. A mais recente datava de 15 de Junho passado (há quatro meses) e referia-se à inauguração de uma exposição no estrangeiro, que contou com a presença da ministra. Esta facto, também singelo, é o retrato da acção do Ministério da Cultura: Isabel Pires de Lima parece uma zombie saída de um filme de série B - não se sabe o que faz, não se conhece a estratégia que propõe para a Cultura, não se sabe qual é a sua prioridade, não se sabe qual é o plano de acção até ao fim da legislatura.

Desautorizada pelo primeiro-ministro no caso da ocupação do CCB pela Colecção Berardo, Isabel Pires de Lima fez uma anedótica reestruturação orgânica dos serviços do Ministério cujos efeitos nocivos se começam a perceber e preferiu premiar nos museus o servilismo burocrático"...
in: jornal meia-hora de 24.10.2007 (edição Lisboa) - link

AS PALAVRAS DOS OUTROS

RUSSOS EM LISBOA - POLÉMICA

PAULO HENRIQUES
(Director do Museu Nacional de Arte Antiga)

"É uma decisão da ministra da Cultura, não tenho que a avaliar.
Ainda por cima, não vem para o Museu de Arte Antiga".
in: revista Actual do semanário Expresso de 20.10.2007 (link)

OS RATOS COMEÇAM A ABANDONAR O NAVIO?

RUSSOS EM LISBOA - POLÉMICA
LUIS RAPOSO
Director do Museu Nacional de Arqueologia


"São iniciativas patrocionadas pelo poder político, mas não correspondem a um movimento sentido e que decorre da lógica de desenvolvimento dos museus portugueses. É redutor pensar que o que é de fora é que é bom. Trata-se de uma maneira provinciana e subdesenvolvida de não valorizar a nossa cultura".
in: revista Actual do semanário Expresso de 20.10.2007 (link)

CIDADANIA


Pobres?
Quem, nós?

José Júdice

..."Cada português, pobres incluidos, paga 70 euros por ano para manter a RTP e o sorriso de orelha a orelha de José Rodrigues dos Santos. A derrapagem de custos no túnel do Rossio custos 14 euros a cada um, seja administrador do BCP ou cliente da Sopa do Sidónio. A do Metro do Terreiro do Paço 12 euros. O Estádio do Braga saiu-nos a dez euros por cabeça, mais do que o previsto. Já o do Algarve nos saiu mais baratinho, apesar de o seu custo apenas ter aumenta 175 por cento sobre o orçamento - em compensação, não tem nem espectadores nem futebol. A derrapagem de custos da Casa da Música já saiu mais em conta: foi só de cinco euros por português. E há ainda o CCB, as auto-estradas, a modernização da linha do Norte, as mil e uma obras públicas que custam sempre mais do que o anunciado e...
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terça-feira, 23 de outubro de 2007

TEDDY CRUZ, CONHECEM?
















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domingo, 21 de outubro de 2007

TENHAM UM MUITO BOM DIA


















about michael kenna (link)

Babel



Edward Hopper

Portugese Church in Gloucester

1923

Jonhson Museum of Art


(…)
E nos domingos a litania dos perdões, o murmúrio das invocações.

O padre que fala do inferno

sem nunca ter ido lá.

Pernas de seda ajoelham mostrando geolhos.

Um sino canta a saudade de qualquer coisa sabida e já esquecida.

A manhã pintou-se de azul.

No adro ficou o ateu,

no alto fica Deus.

Domingo . . .

Bem bão! Bem bão!

Os serafins, no meio, entoam quirieleisão.

(Carlos Drummond de Andrade, “Igreja”)

JACK KEROUAC
12.3.1922 - 21.10.1969























Primeira página do manuscrito do livro On the Road

sábado, 20 de outubro de 2007



REPÚBLICA
POPULAR
DA CHINA

CONHECEM?
CONHECEM?

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

TENHAM UM MUITO BOM DIA

















about matthew sleeth (link)



NÓS POR CÁ TODOS BEM

Temas do rectângulo

Quando da próxima vez levantarmos a voz contra os "fracos reis" que nos governam,
tenhamos a coragem de reconhecer neles a triste imagem da "fraca gente"
em que nos deixámos transformar.
viriato soromenho marques - visão 18.5.2006

E a resposta certa é:

EL CORTE INGLÊS !

25 ANOS DEPOIS - III
No Reino dos Falsos Avestruzes
João Martins Pereira

Os cães de caça (ou os vendedores de mitos)
Quanto a António José Saraiva, que muitos ainda identificavam com o impiedoso libertário do “Maio e a crise da civilização burguesa”, o que os textos de 74-75 não chegavam para desmentir, começa, por voltas de 78 a surgir com artigos de inesperado “realismo” e “sensatez” política, a propósito disto ou daquilo. Em resumo, ia paulatinamente germinando a “intelectualidade de direita” que hoje conhecemos, “consciência infeliz” de uma AD que não correspondeu às suas esperanças.
Com a óbvia excepção de Júdice, que veio, esse, da extrema-direita juvenil (com Lucas Pires, aliás), quase toda esta gente enferma de um talvez incurável “complexo de esquerda”, particularmente evidente num Alçada e num Pulido, menor num Lucena, muito ténue num Saraiva, cuja maior segurança lhe advém de um estatuto intelectual que nenhum dos outros alguma vez conheceu (ou conhecerá) e de um empenhamento muito mais “cultural” do que directamente político. Alçada ainda não digeriu o passo em falso do seu livro sobre Marcelo Caetano, e faz constantemente questão de lembrar o seu passado e os seus amigos de esquerda, por esse mundo. É também patente a “desculpabilização” que lhe provoca a readquirida “sensatez” de velhos militantes de esquerda (ver adiante, a propósito de V.P. Valente, o mito da “boa esquerda de antanho”).Reconforta-se com o facto de Jorge Amado se declarar disposto a apertar a mão ao presidente Figueiredo (“estas declarações de Jorge Amado constituem, mesmo fora da política brasileira, um conforto e uma liçao”), com a conversão à “lucidez” do ex-guerrilheiro brasileiro Fernando Gabeira (“quando era militante de esquerda não andava a discutir o Marx pelas universidades: raptou antes o embaixador dos E. Unidos no Brasil e trocou-o pelos seus companheiros que estavam na prisão” – esta citação é um típico exemplo do “complexo de intelectual”, a que viemos a dedicar algumas considerações). Saúda em Jorge Semprun “ o testemunho dos intelectuais que “se enganaram” e penitencia-se da “ditadura intelectual de esquerda” em que medrou a sua geração (!) e a que deu o seu próprio contributo. A torto e a direito se reclama das suas amizades francesas (Domenach, “son ami” E.Morin), como o fez num penoso diálogo televisivo com uma pobre criancinha, que estava ali para falar e não apenas para o ouvir...
Suspeito que, em contrapartida, não o iremos ouvir falar muito da sua eleição, deliciosamente irónica, para a Academia Brasileira de Letras, onde foi ocupar o lugar de...Marcelo Caetano (pobre compensação para quem já desejou ser Embaixador em Brasília). Tudo se passa como se Alçada nos dissesse: como posso eu ser de direita, se só tenho amigos de esquerda? O que só vem a provar que, ele próprio, tem consciência que é de direita. A Televisão também a tem (e não costuma enganar-se), que tentou dar-lhe o papel de Nemésio, o brilhante e descontraido conversador que o fúnebre e angustiado Alçada nunca podia ser – e não foi – e que o convida sempre que pode para pequenas “rábulas intelectuais”. Pois até foi ele o entrevistado no Telejornal no dia da morte de Sartre, com quem nunca nada teve que ver, ele-discipulo-de-Mounier ( de quem hoje se reclama, mal diga-se, o CDS) ao tempo das grandes obras sartrianas!
In: joão martins pereira – no reino dos falsos avestruzes – editora “a regra do jogo” - 1983

A PRIMEIRA GRANDE INICIATIVA
DO AMANUENSE PAULO HENRIQUES


quinta-feira, 18 de outubro de 2007

TENHAM UM MUITO BOM DIA



















about rudolf koppitz (link)



NÓS POR CÁ TODOS BEM

Temas do rectângulo

Quando da próxima vez levantarmos a voz contra os "fracos reis" que nos governam,
tenhamos a coragem de reconhecer neles a triste imagem da "fraca gente"
em que nos deixámos transformar.
viriato soromenho marques - visão 18.5.2006

UM DOCE A QUEM ADIVINHAR QUEM É QUE
CONVIDA PARA ESTA EXPOSIÇÃO



Amanhã daremos a solução para este passatempo.
E mais, muito mais...

25 ANOS DEPOIS - II
No Reino dos Falsos Avestruzes
João Martins Pereira

Os cães de caça (ou os vendedores de mitos)
O pós-25 de Abril veio clarificar o posicionamento político dos antigos sectores oposicionistas. Como cada um pôde, felizmente, dizer tudo o que lhe ia na alma, começou-se a perceber que a grande "unidade anti-fascista" se desdobrava agora em diversas famílias partidárias. O período que decorre até ao 25 de Novembro não terá, neste aspecto, sido particularmente esclarecedor. A descompressão social foi de tal ordem, o "radicalismo" nas acções e na línguagem tão avassalador, que o simples discurso apelando à razão ou à moderação se via apodado de reaccionário, se não de fascista. Uma boa parte Uma boa parte da intelectualidade fascinou-se com a movimentação popular e com a descoberta de algo até então puramente livresco que era "um exército revolucionário": tornou-se de algum modo "esquerdista", se não "libertária". Outra parte foi-se acolher à sombra tutelar do "Partido", esperando porventura, a partir da célula dos intelectuais, insuflar-lhe uma nova dinâmica e uma maior flexibilidade. Os restantes andaram simplesmente "por aí", a ver em que paravam as modas, os mais conhecidos misturados agora nesse novo "melting pot" que era o Partido Socialista. Todos eles, no entanto, iam escrevendo coisas sobre o povo, o MFA e outros que tais temas próprios do tempo que corria. Enfim, so já no período de "normalização", depois de Novembro, se começam a definir as coisas, lentamente, que a decantação dos sobressaltos e das ideias é morosa como a dos precipitados na análise química. Aqueles para quem a "oposição" era já uma longínqua memória ou nunca mesmo existira, são os primeiros a levantar a cabeça: um Alçada aparece a dirigir "O Dia", um José Miguel Júdice adquire fama no "Diabo". Por essa altura, ainda um Cunha Rego era eminência parda de Soares, um Pulido Valente (ainda no PS) começava a enamorar-se de Eanes - e dar-lhe-ia forte esta inclinação, tempos depois -, um José Augusto Seabra afastava-se de Sá Carneiro a quem acusava de falta de democraticidade, um Barreto era ministro do PS, um Sttau Monteiro mantinha-se "compagnon de route" (se não mais) do PCP. Manuel de Lucena retomava um percurso que alguns textos seus sobre a "questão colonial" anteriores ao 25 de Abril prenunciavam. Em algumas intervenções pontuais ia-se desenhamdo o futuro conselheiro de Soares Carneiro: surpreendeu, à época, a sua defesa de Mota Freitas, o da rede bombista. No plano teórico, desenvolvia ao mesmo tempo laboriosas e intragáveis congeminações, destinadas às "elites" política e intelectual, sobre o corporativismo de antes e de depois do 25 de Abril, tendo como preocupação dominante a "questão de Estado". Estava em gestão o actual cronista permanente e ideólogo destacado do clube de "A Tarde".
in: joão martins pereira - no reino dos falsos avestruzes - editora "a regra do jogo" - 1983

EL MUSEO PERFECTO

La desazón que nos produce la actividad confusa y la desolación de las salas de los museos, no encaja con esa nueva moda teórica de debatir cuál es, cuál debe de ser, el modelo del museo perfecto. Esta idea de trazar un perfil de museo perfecto nos parece, de entrada, prepotente y excluyente. Si partimos de la convicción de que lo perfecto no existe, pero que si existiera sería inevitablemente aburrido, la idea de crear un museo perfecto nos desalienta tanto como nuestros muy imperfectos museos, nos aburre tanto como estos encuentros endogámicos que pretenden dictar modelos de existencia. Por otra parte, crear este artificial debate a partir de un club de amigos, a los que en alguna ocasión has tenido trabajando para ti, es un juego un tanto sucio para que ese perfil de museo perfecto (y aburrido) se parezca al que dirige el inventor del asunto. Una de las conclusiones de las últimas reuniones de los directores de museos españoles con teóricos extranjeros, da un resultado extraño, una excepcional unanimidad en fomentar un modelo de museo vacío, sólo ocupado por unas etéreas ideas que flotan como fantasmas por sus salas vacías, salas en las que no hay público y en las que posiblemente, a no tardar, tampoco haya obras, sólo documentos. El público, el espectador, parece no tener nada que contar. Tal vez nos olvidamos de que los visitantes a los museos somos todos, pero que cada vez somos más nosotros, es decir sólo nosotros. La politización de todos (iba a decir la mayoría pero no son la mayoría, son todos) nuestros museos nos deja un paisaje aterrador. Porque politización no significa solamente que están sometidos a los intereses y vaivenes de unos políticos mayoritariamente ignorantes en materias culturales (no quiero pensar en qué más son ignorantes) que ponen y quitan directores, cambian exposiciones, líneas de actuación, usando el museo como si fuera su sala de juegos. Politización también se puede aplicar cuando los directores de algunos museos usan a éstos y en general a la cultura como una estrategia de poder público o de enriquecimiento personal. Politización debería considerarse también la idea de que...
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