sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

CÂMARA DE LISBOA RECONHECE PROBLEMAS COM O LIXO E OS ESPAÇOS PÚBLICOS

"O lixo e os espaços públicos são áreas onde nem tudo corre bem em Lisboa, admitiu ontem a vereadora do trânsito da autarquia, Marina Ferreira, num debate radiofónico".
in:jornal público de 8.2.2007

Sugestão do formigueiro: e que tal começar pela recolha do "lixo" que impesta os Paços do Conselho, de forma a tornar o ar daquele espaço público mais saudável?

IMPORTA-SE DE REPETIR?

"O ministro da Defesa, Nuno Severiano Falcão, manifestou-se ontem disponível para colaborar no inquérito-crime sobre a alegada utilização de Portugal para voos ilegais da CIA de transporte de prisioneiros que o Ministério Público decidiu abrir".
in: jornal público de 8.2.2007

Pergunta, inocente, do formigueiro: mas não é suposto que qualquer cidadão, e principalmente um Ministro, colaborem nos inquéritos-crime que o Ministério Público decida abrir?

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

TENHAM UM MUITO BOM DIA















chen hai-ping



NÓS POR CÁ TODOS BEM

Temas do rectângulo

Quando da próxima vez levantarmos a voz contra os "fracos reis" que nos governam,
tenhamos a coragem de reconhecer neles a triste imagem da "fraca gente"
em que nos deixámos transformar.
viriato soromenho marques - visão 18.5.2006

MIGUEL COELHO, OU, IMPORTA-SE DE REPETIR?

Miguel Coelho, líder da concelhia de Lisboa do PS, concedeu uma entrevista, publicada hoje, à revista Visão.

Entre outros "mimos", atentem nestes:

Visão - Caso o PS volte ao poder em Lisboa, o que irá fazer na sensível área do urbanismo?
MC - Tornar mais acessível a informação sobre todos os processos. Depois, teremos de apostar muito na revisão e cumprimento do próximo PDM. Há, acima de tudo, que cumprir a lei.

Não sabemos que mais admirar em Miguel Coelho, se a "santa ignorância" ou a pretensão saloia de nos tomar, a todos, por parvos.

Para Miguel Coelho, pelos vistos, o PDM é um acto de urbanismo isolado, que tem que ser revisto e, acima de tudo, cumprido.
Miguel Coelho ainda não percebeu que os PDM estão ao serviço de uma ideia/projecto para a cidade.

Mas o mais intrigante nas declarações de Miguel Coelho é quando afirma: "Há, acima de tudo, que cumprir a Lei"

Mas será que pela ilustre cabecinha de Miguel Coelho ainda não lhe passou a ideia de que a condição primária de qualquer cidadão eleito para a "governança" do rectângulo é o pressuposto de que tem que cumprir a lei?

Pelos vistos, para Miguel Coelho, uma das próximas bandeiras do PS para as eleições intercalares para a Câmara de Lisboa é: nós cumprimos a lei !

Já agora, e não querendo ser deselegante, cumprem?

Não é por nada, mas estamo-nos a recordar das declarações de Dias Batista, vereador "dinossauro" do PS na Câmara Municipal de Lisboa, que, para justificar a abstenção por si protagonisada na votação para a celebração do contrato-promessa da urbanização do Vale de Santo António, afirmou:

..."não tem riscos de maior" lembrando que operações semelhantes foram levadas a cabo em anteriores mandatos. "Eu tenho memória", disse, justificando ter votado em desacordo com a maioria dos outros colegas de bancada, com quem as relações parecem estar "azedas".

E agora a Polícia Judiciária anda a investigar, justamente, a celebração deste contrato-promessa.

Pois...


AINDA A ENTREVISTA DE MIGUEL COELHO À VISÃO

Visão - O modelo de gestão deve manter-se?

MG - Quer eu quer o PS entendemos que não. Uma via possível será a de copiarmos o modelo catalão de dividir a cidade em cinco ou seis distritos e ter um vereador responsável por cada uma dessas zonas, com competências em matéria de urbanismo, trânsito, etc. O presidente da Câmara ficaria como coordenador.

Este Miguel Coelho é "um querido", mas, pelos vistos, não aprende nada.

O tal "modelo catalão" de que Miguel Coelho fala, não existe.

O que existe, isso sim, é o modelo aplicado em Barcelona, o que não é exactamente o mesmo que a Catalunha.

Detalhes...

Mas a ignorância de Miguel Coelho ainda vai mais longe.

O tal "modelo catalão" (o tal que não existe) já constava do programa eleitor apresentado por Carrilho nas últimas eleições para a Câmara Municipal de Lisboa, devidamente identificado como "o modelo de Barcelona", e não catalão.

Detalhes...

Mas a ignorância de Miguel Coelho ainda vai mais, mas muito mais longe.

Barcelona está, efectivamente, dividida em seis distritos, só que, e em primeiro lugar, cada distrito não aplica uma política individual, mas sim a política comum apresentada pelos partidos concorrentes à governação de Barcelona, e devidamente particularizada para cada distrito.

Detalhes...

Mas a ignorância de Miguel Coelho ainda vai mais, mas muitíssimo mais longe:

Cada distrito de Barcelona dispões de dois orgãos dirigentes, um político, dirigido por um vereador, e um técnico, constituido e dirigido por profissionais.

Ao primeiro compete instruir e fiscalizar os segundos, enquanto estes, mediante objectivos préviamente bem definidos, executam o projecto político.

No fundo, no fundo, o que Miguel Coelho propõe, corresponde à formula "mudar para que tudo fique na mesma"

Em lugar de um único vereador responsável pelo urbanismo, como actualmente se verifica, o que Miguel Coelho insinua é que passariamos a têr seis vereadores responsáveis pelo urbanismo, entre outros "pequenos fretes".

Se com um único vereador a Polícia Judicária já tem o trabalho que tem, então com seis...

Há, é verdade, "Acima de tudo, há que cumprir a lei".

Pois...

Detalhes...

EM TEMPO

" Dias Baptista e Ruben de Carvalho acusaram o chefe do Executivo lisboeta de "mentir ao afirmar que a Oposição não tinha concordado com a sindicância pedida aos serviços de Urbanismo" . Pelo contrário, frisou o autarca do PS "a proposta foi aprovada por unanimidade e, afinal, nem sequer existe despacho para avançar com o processo". Diz ainda Dias Baptista que, face a este "novo cenário", a "Oposição estará disponível para dar voz ao eleitorado". - link

Sublinhe-se a declaração do ilustre Dr. Dias Batista de, "estar disponível para dar voz ao eleitorado".

O eleitorado, reconhecido, agradece.


BORN IN THE U.S.A.
Fotografia e política americanas























about aaron hawks (link)

COPTER CRASHES SUGGEST SHIFT IN IRAQI TACTICS

With two more helicopter crashes near Baghdad, including a Marine transport crash on Wednesday that killed seven people, the number of helicopters that have gone down in Iraq over the past three weeks rose to six. American officials say the streak strongly suggests that insurgents have adapted their tactics and are now putting more effort into shooting down the aircraft.

The number also includes a previously unreported downing of a helicopter operated by a private security firm on Jan. 31. Some aspects of the recent crashes indicate that insurgents have become smarter about anticipating American flight patterns and finding ways to use old weapons to down helicopters, according to military and witness reports. The aircraft, many of which are equipped with sophisticated antimissile technology, still can be vulnerable to more conventional weapons fired from...
link

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

TENHAM UM MUITO BOM DIA























about erwin olaf (link)



NÓS POR CÁ TODOS BEM

Temas do rectângulo

Quando da próxima vez levantarmos a voz contra os "fracos reis" que nos governam,
tenhamos a coragem de reconhecer neles a triste imagem da "fraca gente"
em que nos deixámos transformar.
viriato soromenho marques - visão 18.5.2006

Começa aqui uma de pelo menos duas partes de um post dedicado à semelhança entre personagens literárias.

Sei que não é a primeira vez que falo de Goethe e da sua obra maior, “Fausto”. Ambos surpreendem cada vez mais e por razões sempre diferentes. Goethe, cujo QI elevado é um facto amplamente comentado, era mesmo assim um homem que se pelava por ser bem recebido e aceite na alta sociedade. Não estamos a falar da aristocracia, mas sim da burguesia, das suas festas e intrigas internas. Goethe, que escreveu “Fausto”, homem sensível, (conta-se que chorava frequentemente e sem razão aparente) era, se assim quisermos chamar, um deslumbrado. “Fausto” é no entanto uma obra de cristalização, uma vez que o autor consegue, desde a Bíblia (que começa com a Criação do Mundo e termina no Apocalipse) e da "Divina Comédia" de Dante, condensar o divino, o terreno e o terrífico no espaço mental de uma personagem. Fausto passa por tentações que apenas algumas personagens que o antecederam conheceram o sabor. Entre essas, o próprio Cristo.
Mais tarde, quando Thomas Mann recuperou o mito de “Fausto” fê-lo num dos períodos mais negros da história: no rescaldo da Segunda Guerra Mundial e do mal absoluto que foi o nazismo. Tal como Adão que é tentado e cede à tentação, também o mundo, ou parte dele, cedeu à tentação megalómana e perigosamente coerente do ditador. Thomas Mann apresenta Fausto como homem profundamente perturbado que de facto se vende, sem direito a redenção, ao diabo. Utiliza como meio a música, fazendo assim a ligação entre o antigo paradigma faustiano e o novo: no antigo, o homem era corrompido por algo que o libertasse da modorra em que vivia, no seu aborrecimento constante; no novo, o homem é corrompido pelo desejo de adquirir conhecimento. Esta noção de conhecimento e perdição também está presente em outra obra de Mann “Os Buddenbrooks” em que a personagem que sobrevive à tragédia familiar e que deveria prosseguir com o nome da mesma, é de tal forma consumida pela paixão musical que acaba por morrer e acaba igualmente por não dar essa continuidade ao nome da família.
Outro autor, também já falado mas que segue esta linha é Proust, ou pelo menos Marcel, a personagem principal de "Em Busca do Tempo Perdido". Marcel é a personagem que à semelhança de Goethe, faz estranhas diligências para ser apresentado a pessoa A ou B. No fim, e após ter conhecido todas elas, acaba como os dois faustos anteriores: não cedendo à tentação do conhecimento, nem à tentação da excitação, mas cedendo à tentação de nada fazer, tanto que adia sine die a criação da sua grande obra onde supostamente iria condensar toda a experiência e histórias que viveu. Todos os outros esperam isso dele, mas o narrador morre sem conseguir a concretização de algo a que se propôs e que exigiam, embora não o exigissem verbalmente.
À semelhança dele, lembro aqui a personagem de Carlos da Maia, de Eça de Queirós que criado na disciplina inglesa do avô e do seu tutor, com toda a liberdade de espírito e de escolha, é a “eterna esperança adiada”. Fracassa tal como o pai, não por causa da sua educação, mas por ser um diletante incapaz de abraçar um projecto único e levá-lo até ao fim. A sua educação e os conhecimentos que tinha de nada lhe serviram perante a inevitabilidade do destino.
Não sei se em todas as personagens aqui enunciadas foi o destino quem agiu, o que me parece bastante improvável, uma vez que as mesmas mostram possuir uma notável capacidade para se sobreporem ao destino. Vendem-se porque querem contorná-lo, desafiá-lo. São fleumocráticos: cumpridores, educados, pachorrentos. E insatisfeitos, tristes, absortos. E apresento-o assim como partidários ou responsáveis por um regime de poder, com o sufixo cratos (poder), pois neles, uma vez instalada a fleuma essa insatisfação constante, a mesma jamais será ultrapassada. Eles são os únicos membros da instituição que criaram. (Como Satie era o único membro da sua igreja).

BORN IN THE U.S.A.
Fotografia e política americanas
















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Do it yourself home

TED

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

TENHAM UM MUITO BOM DIA


















about german herrera (link)



NÓS POR CÁ TODOS BEM

Temas do rectângulo

Quando da próxima vez levantarmos a voz contra os "fracos reis" que nos governam,
tenhamos a coragem de reconhecer neles a triste imagem da "fraca gente"
em que nos deixámos transformar.
viriato soromenho marques - visão 18.5.2006

AS BOAS SURPRESAS OU JAIME QUESADO E A "CLASSE CRIATIVA"

No passado dia 29 de Janeiro publicámos um texto no formigueiro (link), no qual não eramos "nada meigos" para com Jaime Quesado, gestor do Programa Operacional Sociedade do Conhecimento.
O texto tinha como motivo central o facto de Jaime Quesado ter assinado um artigo no jornal Público daquele dia, no qual fazia várias referências a Richard Flórida e ao conceito de "Classe Criativa" defendida por aquele académico americano, sem que, no entanto, fornecesse qualquer link para o site de Richard Florida ou, principalmente, o link para o estudo "Europe in the Criative Age".

Agora imaginem qual não foi a nossa surpresa quando recebemos o seguinte mail:

On 1/fev/2007, at 14:11, Jaime Quesado wrote:
Via a sua nota no seu blog a propósito do meu Texto sobre a Classe Criativa.
Considero oportunas as suas notas sobre a matéria.
Melhores cumprimentos,
Jaime Quesado

Neste rectângulo mal frequentado não estamos habituados a que os destinatários dos "reparos" tenham o trabalho de responder aos textos publicados nos blogues, concordando ou discordando dos mesmos.

São atitudes destas, que só enobrecem quem as pratica, que nos levam a acreditar (ainda) que é possivel transformar, realmente, o rectângulo.

Oxalá este exemplo fosse seguido alí para as bandas do Instituto Português de Museus.

Nota do formigueiro: o texto do mail de Jaime Quesado é publicado com o consentimento do seu autor.

OS VISITANTES DOS MUSEUS E A "CONTABILIDADE CRIATIVA" DO INSTITUTO PORTUGUÊS DE MUSEUS

No excelente artigo publicado no sábado passado no Diário de Notícias (link) e assinado por Leonor Figueiredo, é focado, finalmente, por um orgão de comunicação social de expressão nacional, um tema que tem sido recorrente neste formigueiro, quase desde a "fundação" do mesmo.

Na verdade, desde 2005. mas com particular evidência em 2006, as estatísticas dos visitantes dos museus tutelados por Manuel Oleiro, presidente do IPM, têm vindo a evidenciar uma nitida tendência para a "contabilidade criativa", atribuindo o aumento de visitantes a todas aquelas actividades que nada têm a ver com os museus, tal como "apanhar ar" em dias encalorados nos magníficos jardins do Museu do Teatro e do Museu do Traje, entre outros.

Aliás, as declarações recolhidas por Leonor Figueiredo são "assassinas".

Assim, funcionários dos Museus do Traje e do Teatro declararam:

"Cada museu, apurou o DN, tem o seu critério para estes "outros" e "livres". No Museu do Traje estas rubricas incluem a entrada de investigadores e congressistas, conforme informou ao DN um funcionário, "mas o que mais preenche são as pessoas que vão para o restaurante" e as que "vêm do Museu do Teatro". Neste último, os lançamentos de livros são contabilizados como visitantes, assim como quem procura o jardim. "Sobretudo no Verão há muita afluência", sublinham ao DN".

Mas as declarações mais espantosas provêm de Manuel Oleiro, presidente do IPM.

Contactado pela jornalista, declarou:

"Manuel Bairrão Oleiro, considera que quem vai aos museus, mesmo que não seja para ver as exposições, deve ser classificado como visitante. No entanto, concorda que uma das duas rubricas mencionadas, a dos "outros", possa "induzir em erro". Explica o responsável: "Há museus onde não é possível excluir quem vai também ao restaurante, podendo ou não pagar o bilhete de entrada."

O que mais custa "aguentar" é o duo Isabel Pires de Lima/Manuel Oleiro fazerem conferências de imprensa para anunciarem "a boa nova" do aumento de número de visitantes aos museus tutelados pelo IPM, mesmo que esses números incluam gastrónomos, encalorados e foliões, bem como outras espécies semelhantes, que "engrossam", e muito (+- 22%), a estatísitica dos visitantes dos museus, sem que a comunicação social, no geral, se detenha a analisar as "boas novas" acreditando que as notícias emanam de gente credível.

Felizmente que Leonor Figueiredo e o Diário de Notícias "acordaram" para esta questão.

Daqui para a frente, quando o duo convocar nova conferência de imprensa (até quando José Socrates?) para anunciar mais "boas novas" destas, vai ter pela frente uma plateia de jornalistas mais atentos, e, espera-se, mais interventivos.

Oxalá !

BORN IN THE U.S.A.
Fotografia e política americanas
















about bill henson (link)