segunda-feira, 8 de outubro de 2007



IMPORTA-SE DE REPETIR?

"Há solidão procurada em todas as telas brancas ausentes de tanto sonhar".
maria sobral mendonça
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AS REVISTAS CULTURAIS E OS SEUS LEITORES

Não, não estamos a escrever sobre Portugal.

Escrevemos sobre Espanha.

Em Espanha existem revistas culturais. E uma associação que as representa.

E uma enorme vontade de saber quem são os seus leitores.

E uma enorme vontade de tornar públicos esses dados.

Como em Portugal, aliás...

No final da semana passada este estudo foi colocado na net.

E largamente publicitada esta iniciativa.

Aqui fica o link, via tokland.com

Mesmo que não conheçam as revistas (algumas disponíveis na net) podem ficar a conhecer os seus leitores.

domingo, 7 de outubro de 2007

Estamos porreiros

Saúde excelente
bem comidos
bebidos
e dormidos

Ninguém está doente
o que já chateia

O Sol aqui é quente
e a chuva fria

Vento em popa
Conveniente

O mar tranquilo
regulado
pra nadar

A hora é exacta
às doze em ponto
é mesmo meio-dia

O melhor que há
passa por cá

Vamos ao teatro
vamos ao cinema
vamos ao ballet

Estamos todos porreiros
estamos todos contentes
olarilolé

Vamos ao algarve
pra falar estrangeiro

Vamos viajar
vamos dar uma volta
num cruzeiro

Vamos ao Tavares
vamos ao Lacerda
a todos os lados
aqui e ali

e vamos à merda*

(Exame Prévio, Mendes de Carvalho)

*desculpem

QUAL É A BANDA MILITAR QUE TOCA HOJE NO TERREIRO DO PAÇO?

Jamais Nuit blanche ne se sera autant exposée à la belle étoile. Organisée depuis 2002 par la Mairie de Paris, cette manifestation gratuite tente de mettre en scène l'art contemporain à l'échelle de la capitale. Longtemps partagés entre endroits clos et espaces extérieurs, au prix parfois de gros engorgements, les lieux d'exposition de l'événement ont été déplacés plus radicalement dans la rue, pour une édition 2007 qui présentera plus d'une centaine d'artistes dans la nuit du 6 au 7 octobre, entre 19 heures et 7 heures.

Ainsi, pour la première fois lors d'une Nuit blanche, les plasticiens côtoieront une dizaine de compagnies de théâtre de rue, Générik Vapeur, KompleXKapharnaüM, Zur ou le Phun, entre autres. Une façon, selon Christophe Girard, de "s'éloigner d'un certain snobisme des galeristes et des musées", jusqu'ici acteurs privilégiés de l'événement.
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sábado, 6 de outubro de 2007



UMA LEITURA PARA O FIM DE SEMANA

REGIS DEBRAY-MICHÈLE NARVAEZ-GÉRARD WORSMER-PAUL ZAWADZKI

Dans la zone de tempête que constitue notre civilisation occidentale, on peut opter soit pour la méditation solitaire, soit pour une volonté de comprendre ensemble les phénomènes de ce « malaise de la temporalité », pour reprendre le titre du livre de Paul Zawadzki. Trois problèmes sont abordés pendant cette rencontre : les questions liées au religieux, à la transcendance ; celles qui concernent le devenir historique, la trajectoire de l'occident et sa place dans le monde d'aujourd'hui ; enfin d'autres plus actuelles autour du débat sur la laïcité.

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sexta-feira, 5 de outubro de 2007

VENARIA
&
PETER GREENAWAY


link & link

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

TENHAM UM MUITO BOM DIA


















about peter bialobrzeski (link)



NÓS POR CÁ TODOS BEM

Temas do rectângulo

Quando da próxima vez levantarmos a voz contra os "fracos reis" que nos governam,
tenhamos a coragem de reconhecer neles a triste imagem da "fraca gente"
em que nos deixámos transformar.
viriato soromenho marques - visão 18.5.2006

NÃO ACORDEM, NÃO!

O aumento do controlo das liberdades individuais pelo poder político não pára.

Entre nós, um dos últimos exemplos foi o da lei sobre a reprodução das escutas telefónicas.

Se alguma dúvida existia na cabeça de alguém sobre o que estava em causa, basta vêr o semanário SOL do último fim de semana e lêr a reprodução das conversas gravadas pela Polícia Judiciária ao então responsável pela angariação de "euricos" para o CDS, as quais tiveram como protagonistas figuras gradas do PS, PSD E CDS.

Agora, no Reino Unido, no próximo dia 8 vai ser discutida uma proposta de lei que visa proibir e penalizar a posse de pornografia extrema e violenta.

Até parece bem, não parece?

Então leiam o texto de Shirley Dent e pensem duas vezes.

Não acordem, não.

LINK

AS PALAVRAS DOS OUTROS

Estamos habituados a julgar uma obra
segundo ela é ou não adequada
para a engrenagem (social);
talvez seja tempo de começar
a julgar a engrenagem
segundo ela é ou não adequada para a obra.

bertolt brecht

BORN IN THE U.S.A.























about richard ross (link)

PETER GLUCK´S SOCIAL WORK
An outspoken architect points the way to socially responsible practice by building his own designs.

Peter Gluck has a problem with the AIA.
(The American Institute of Architects - link)
He has a problem with architectural education too. Really he has a problem with the whole profession of architecture as it is currently practiced. Economic exploitation of youth. Big ideas in service of the highest bidder. Callow young CAD monkeys trained in archispeak. Designers who don’t know how to build. Engineers rescuing forms untethered from reality. He doesn’t seem like an angry person: he’s a sort of laid-back father figure with a gentle demeanor who appears to relish his work. But don’t get him started on the irresponsibility of architects and the way the profession is practiced. Or do get him started: you might learn something.
“I don’t belong to the AIA,” Gluck says during a BMW station-wagon tour of his recent New York projects, among them a campus for Bronx Prep, a charter school for 800 students in the South Bronx, and a center for the Little Sisters of the Assumption Family Health Service, a nonprofit that works with poor families and immigrants in East Harlem. “I think they’re the problem, not the solution. It’s a group of people who get together to promote themselves; they’re not interested in really looking at the profession and...
link

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

- o carteiro -


Não sei se faz parte da biblioteca visual e até referencial dos leitores da Formiga, mas o ouroboros, a serpente que morde a própria cauda, está presente em inúmeros momentos de figuração da nossa história e arte. O ouroboros tem várias interpretações e que o diga este site . Tantas interpretações que algumas são mesmo contraditórias. No fundo acabam por querer dizer a mesma coisa: a serpente que morde a própria cauda representa a eternidade, o ciclo fértil por se aproximar das formas reprodutivas femininas (o sol era para os povos primitivos, masculino porque os seus raios fecundavam a Terra – feminino). Porém posso também tomá-lo como a forma estéril por excelência, uma vez que fechada em si mesma não permite a entrada de mais nada (tal como o Ser para Parménides). Quando esticada, a serpente representa simplesmente o mal, porque como ainda não encerrou um ciclo, não atinge um nível superior que começa com a vida e acaba com a morte, recomeçando aí mais uma vez. E quanto mais avançamos para a Alquimia, a Maçonaria, o Hermetismo, o Cristianismo, mais variadas são as interpretações. Há até a relação entre o ouroboros e as posições sexuais representando este o chamado 69.


Mas no nosso universo o ouroboros aparece aos olhos mais atentos na imagem da cidade de Coimbra, imagem essa que está relacionada com uma lenda da própria cidade.


imagem da cidade de Coimbra

Ao nível da Arte, a imagem da serpente está muito ligada à Virgem, a São João Evangelista e a São Jorge. São João Evangelista, conta uma escritura, terá morrido envenenado por uma serpente que se encontrava no cálice por onde o santo bebeu (esta é apenas uma das histórias acerca da morte do santo). São Jorge, como sabemos derrotou o dragão, uma passagem actualizada da história de David e Golias. Ao ser representado assim, com o dragão sob os seus pés, Mantegna indica-nos que o bem venceu o mal.


Andrea Mantegna

St George

1460

Gallerie dell'Accademia, Venice

Também de Mantegna é este outro quadro, o quadro de Judite cortando a cabeça de Holofernes que aparentemente nada tem em comum com qualquer história sobre o ouroboros, mas que uma segunda interpretação revela detalhes importantes: a mão de Judite que segura a cabeça do chefe militar está na mesma linha de orientação do quadro que os pés do morto. Em linha recta, temos então a cabeça e os pés, o início e o fim, o alfa e o ómega tal como na serpente que não completou o ciclo. Algo semelhante foi possível observar numa encenação de “À Espera de Godot” em que a primeira parte da peça acabava com o chapéu e as botas lado a lado no palco vazio.


Mantegna
Judith and Holofernes
1495
National Gallery of Art, Washington


No que diz respeito à Virgem, esta referência é imediata: “E viu-se um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça. E estava grávida, e com dores de parto, e gritava com ânsias de dar à luz. E viu-se outro sinal no céu; e eis que era um grande dragão vermelho, que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre as suas cabeças sete diademas. (Apocalipse, XII, 1-3)" . Os exemplos artísticos são muitos: Caravaggio e a Madonna dos Palafrerneiros é um retrato muito íntimo da divindade e Cristo e da Mãe. O pequeno Cristo nu é auxiliado pela mãe na tentativa de matar a serpente, como se de uma brincadeira se tratasse. Eles sabem que Cristo, como representante de Deus na Terra, tem poder para destruir o animal que representa o mal e Caravaggio mostrou-o como se fosse uma diversão entre mãe e filho, numa pintura cujo resultado é muito humano.


Caravaggio
Madonna with the Serpent
1606

Galleria Borghese, Rome

Em realação à escultura, e porque sou omissa face a isso, trouxe o exemplo de Artus II Quellinus. Nesta imagem vemos como a Virgem se mantém sobre uma Lua crescente (representação bíblica comum a Dürer e aos maçónicos, por exemplo. No caso de Dürer é retratado o mesmo episódio bíblico que relaciona a Virgem com a serpente e que já referimos em cima).


Artus II Quellinus

Virgin of the Immaculate Conception

1690

O.-L. Vrouwekathedraal, Antwerp


Durer
The Revelation of St John: 10. The Woman Clothed with the Sun and the Seven-headed Dragon

1497-98

Staatliche Kunsthalle, Karlsruhe


Esta lua é carregada por dois querubins. Mãe e filho tentam afastar a serpente que envolve a base da lua, mas vemos pelo peso do filho, de Cristo, que poderia até desiquilibrar a composição, que é ele que apesar de ser ainda criança, mata a serpente e assim afasta o mal. É também uma imagem típica da imagética promovida pela Contra-Reforma, uma vez que aqui o bem (Catolicismo) vence o mal (Protestantismo).


E para quem não quer andar por aí à procura de serpentes em bases de lua, dou dois conselhos: uma pequena igreja em Macinhata do Vouga que tem uma escultura semelhante, o quadro que ontem estava atrás do cardeal patriarca de Lisboa aquando da sua intervenção filmada pelas várias televisões.

MONEY, MONEY, MONEY...

En la tradición cultural española hablar de dinero siempre ha sido de mal gusto. Y si ya se relacionaba cultura y beneficio económico, nos acercábamos al anatema, a la apostasía. Durante mucho tiempo, sin duda demasiado, se ha querido asociar pobreza con bohemia y con creación cultural como un ciclo que se alimenta a sí mismo dando como resultado una obra nacida del sufrimiento y de la excepción, sublime. Esta estupidez, alentada incluso por algunos galeristas todavía vivos y que han considerado que igual que el artista necesita la miseria para crear el galerista necesita del lujo para vivir, es hoy en día indefendible. Sin embargo, perdida ya toda vergüenza por hablar de dinero, superados los complejos por preguntar los precios de las obras de arte y exigir descuentos a la hora de comprarlos, asistimos con, no cierta sorpresa, a la vuelta absoluta de la situación.

Ahora lo que se lleva, lo auténticamente moderno, lo más, es crear una empresa de inversión artística, asesorar una colección (privada, por favor) y sobre todo, sobre todo, comprar para otros. Es decir, especular.

Personalmente puestos a especular me parece moralmente mucho peor especular con la vivienda (una necesidad reconocida incluso por la Carta de los Derechos Humanos) que con las obras de arte de los artistas actuales, que son muchos y trabajan un montón, y realmente podemos llegar a vivir, incluso bien, sin poseerlas y atesorarlas en nuestras cajas de seguridad climatizadas. Sin embargo si todo el mundo está dispuesto a rebajar su moral un poquito y especular con la necesidad de vivienda de los demás, ¿por qué nos vamos a molestar porque un grupo de ricos riquísimos acepten poner cientos de miles de euros en...
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Nota do formigueiro: qualquer ligação entre este texto de Rosa Olivares e a realidade portuguesa, só é possivel de estabelecer em cabeças muito, mas mesmo muito doentes...

terça-feira, 2 de outubro de 2007

TENHAM UM MUITO BOM DIA





















about li wei (link)



NÓS POR CÁ TODOS BEM

Temas do rectângulo

Quando da próxima vez levantarmos a voz contra os "fracos reis" que nos governam,
tenhamos a coragem de reconhecer neles a triste imagem da "fraca gente"
em que nos deixámos transformar.
viriato soromenho marques - visão 18.5.2006

A NÃO PERDER!


















via alexandre pomar (link)

DIVÓRCIO EM NOVA YORK

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

AS PALAVRAS DOS OUTROS

O FÓRUM CULTURAL QUE O MINISTÉRIO SE ESQUECEU DE ANUNCIAR
Comentário
A Europa tem destas coisas, faz-nos parecer relevantes em áreas onde devíamos, por vezes, agir com precaução. O Fórum Cultural para a Europa não sendo uma oportunidade irrelevante, que não é, também não se transformou no evento mobilizador que o Ministério da Cultura (MC) português quis fazer parecer.

Nem a sociedade foi tão civil quanto se alardeava, nem a imprensa se importou muito com a discussão. Um olhar pelos jornais internacionais e agências de informação, já para não falar da imprensa portuguesa, mostra que a importância dada ao tema foi pouca ou nenhuma. E a que houve limitou-se ao relato passivo de alguns acontecimentos, á explanação de alguns desalentos dos primeiros interessados – os agentes culturais que primaram pela ausência –, e ao corrupio de folclore social que preenche qualquer evento relacionado com a cultura.

Não houve reflexão, não houve debate, não houve uma extensão que questionasse o papel que a cultura ocupa em Portugal e na Europa.

Isto não é, diga-se, mais do que o resultado da total desinformação prestada pelo MC que, duas semanas depois do fim das inscrições, andou de pesca à linha a alguns nomes, solicitando-lhes pronta participação. As respostas, quando não vinham cheias de indiferença, alertavam o próprio MC para o facto de já estarem inscritos. E não porque tivessem daqueles recebido informação prévia, ou mesmo de qualquer outra agência governamental, mas porque, naturalmente, foram alertados por parceiros e cúmplices internacionais que começaram a dar conta das datas de chegada a Lisboa. Para quê? Para um Fórum Cultural sob a égide de uma comunicação assinada pelo próprio presidente da Comissão Europeia.

Só esse facto pareceu dar garantias aos participantes de que não se tratava de mais uma operação de charme de Bruxelas. Durão Barroso parece querer, mesmo, colocar a cultura na agenda da Europa. Que Steiner o proteja do MC português, já que se estivermos dependentes da dupla que ocupa o Palácio da Ajuda dificilmente teremos resultados prontos ou sequer esclarecimentos sobre as prioridades, objectivos e intenções desta operação.
A opinião nem é só minha, mas da imprensa internacional presente numa sessão de esclarecimentos à margem do Fórum no qual Patrícia Salvação Barreto, a Directora-geral do MC responsável pela sua coordenação, fez anunciar, a vinte minutos do fim da sessão, de que não teria tempo para explicar de que forma entendia o MC português a importância do encontro.
Hélas!

Por muito elogiosos que tenham sido os agradecimentos de praxe dos vários convidados, não foi possível deixar de sentir na sala um certo incómodo por aquilo que é a imagem internacional do MC e o seu referente interno. Cada um tem o MC que merece e vice-versa.
A deselegância para com a representante do Ministério da Cultura e Assuntos Religiosos da Noruega é um sinal claro da política de fachada que o nosso MC pratica para épater l’Europe.
in: Tiago Bartolomeu Costa - revista obscena (link)