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quarta-feira, 22 de abril de 2009

Os mitos das indústrias criativas
Texto de António Pinto Ribeiro, publicado recentemente no jornal Público.

As indústrias criativas têm vindo a ocupar o centro do debate no ano europeu dedicado à criatividade, a maioria das vezes tendo por referente algo muito vago. Em Portugal, a sua evocação é feita como se as mesmas fossem as salvadoras da economia das cidades e aparecem no discurso político como uma tentativa de configurar os seus elocutores como agentes de políticas modernas. O facto é que as indústrias criativas, promovidas na Europa no quadro da ’terceira vaga’ decorrem de um conjunto de mitos que é oportuno desconstruir:
Apesar de aparecerem como usurpadoras do género, a criatividade não se esgota nas indústrias criativas; muito menos nas actividades artísticas, em particular no design, nas telecomunicações, na moda ou nas artes tecnológicas por via, sobretudo, do seu carácter de artes reprodutivas, em especial graças ao baixo custo da produção do digital. A criatividade é, antes de tudo, uma faculdade humana que pode ou não ser motivada e activada conforme haja, ou não, a capacidade da sua detecção e as condições favoráveis à sua manifestação, não sendo previsíveis a maioria dos seus impactos. A criatividade é um talento que muito ultrapassa o marketing político. A este propósito, seria oportuno ler cuidadosamente a obra de Ken Robinson.
A criatividade não acontece por mera vontade política nem basta que seja enunciada para que a sua performance seja actuante - se houvesse dúvidas sobre a ineficácia do discurso político nesta matéria, o fiasco retratado no ambiente decadente da tão publicitada Feira das Indústrias Criativas, realizada recentemente na Expo Norte, era disso exemplo -. O exercício da criatividade exige disciplina, métodos adequados, informação actualizada, crítica, debate, trabalho colaborativo e condições profissionais e de produção para que se possa materializar em objectos ou ideias. A sua passagem a um sistema de produção industrial decorre mais das capacidades distributivas e da marca cosmopolita da cidade do que de “estratégias de incubação, ninhos de produção” e outras ilusões provindas geralmente do aparelho educativo e produtivo mais conservador.
Não basta apontar exemplos de relativo sucesso temporário de algumas zonas de cidades internacionais, onde o ambiente criativo, proporcionado pelo talento, tecnologia e tolerância, produziu uma cena artística nova e gerou algum emprego para que o mesmo possa acontecer em qualquer outra cidade. A criatividade e a sua manifestação materializada exigem massa crítica substantiva, cidades de escala média ou grande, excelentes escolas de formação artística, científica e tecnológica, que são a base de recrutamento dos criadores, mobilidade e diversidade da população envolvida. Ao pensarmos nas cidades portuguesas a partir destes itens, tomamos com certeza consciência da dificuldade destas transferências de ’receitas’.
As indústrias criativas não são a solução milagrosa para a economia das cidades e os números que habitualmente são avançados em termos de percentagem de PIB (entre os 4% e os 7%) escamoteiam que a parte substancial desta economia provêm das telecomunicações, da indústria do audiovisual e das televisões que, a bem verdade, nem são indústrias recentes, nem se pode afirmar que traduzam sempre o melhor da criatividade.
Do ponto de vista de análise cultural, as indústrias criativas e o seu suposto sucesso fundamentam-se não na criatividade nem nas artes mas sim na ideia de consumo. Para os defensores mais fundamentalistas das indústrias criativas, o importante é que estas vendam e giram receitas. O envelope da criatividade com que as vendem vai buscá-lo ao domínio das artes e à aura de que estas são proprietárias mas com o espírito de que já não existem nem receptores, nem públicos e, muito menos, utilizadores críticos mas apenas uma massa anónima de consumidores globais passivos. É com certeza muito importante ler Richard Florida mas é também fundamental ler Aristóteles, Jean-Luc Nancy, Bernard Stigler, Jacques Rancière, entre outros.
Nenhum obstáculo aqui se coloca face ao desenvolvimento da criatividade e à sua possível materialização que se pode, eventualmente, configurar nessa ideia de indústrias criativas, desde que se considere que a desideologização radical da cultura tenha, como consequência, o fim da ética da economia e da criatividade científica ou artística. Impõe-se, pois, quando se falar de criatividade, de indústrias criativas e de desenvolvimento, que se seja intelectual e politicamente honesto.
No caso concreto de Portugal, a criatividade deve e pode ser estimulada e actualizada em termos concretos, desde que se tenha consciência que o processo criativo é lento, que não se coaduna com calendários legislativos, que implica reconhecer a possibilidade do erro, da falha e do sucesso adiado; que exige investimento nas retaguardas de formação elementar, que se precisa de muito tempo; que exige um forte investimento na investigação científica e na produção artística (e que, neste último caso, está muito longe dos patamares mínimos de eficiência); que há áreas potencialmente mais capazes de fornecerem a médio prazo resultados muito positivos, como sejam a arquitectura, a fotografia, a música urbana, o documentário, e que há outras que vão exigir mais tempo e podem haver casos em que os próximos tempos sejam de falhanço. É preciso, de facto, tempo, muito tempo.
A nossa relação primária com a tecnologia - para a qual contribui a história do país, a económica, a tecnológica e a cultural - é muitas vezes traduzida numa relação de deslumbramento improdutivo (há sempre ilhas, claro) não ajuda e, por isso, exige não mais tecnologia mas um melhor uso epistemológico da tecnologia.
Em conclusão, para as nossas cidades precisamos que elas sejam orientadas num sentido mais cosmopolita, que se constituam em cenas artísticas e científicas, que se internacionalizem e dêem tempo, o tempo e as condições necessárias à formação que actualize a criatividade.

António Pinto Ribeiro
Ensaísta

Nota do formigueiro - Estes são os verdadeiros temas que deveriam ser discutidos, relativamente às chamadas "cidades criativas".
Mas, infelizmente, assistimos ao mais despurado provincianismo dos "nossos" actores/decisores políticos, hábilmente explorado pelas experimentas, trienais de arquitectura e outros malabaristas de serviço.
Muito embora hoje esteja muito em moda a expressão "custo/benefício", ainda ninguém inquiriu de forma séria de qual terá sido o benefício dos milhões de euros de dinheiros públicos já investidos na ExperimentaDesign.
Afinal, o que mais importa é "aparecer na fotografia" e mostrar ao Zé Pagante/Zé Votante que até temos políticos "cosmopolitas".
O único problema é que tudo isso é obtido à custa do dinheiro dos contribuintes!

terça-feira, 21 de abril de 2009

A EXPERIMENTA ESTÁ DE VOLTA.
E NÓS TAMBÉM.

















"O estímulo que a bienal traz, no sentido de tornar Lisboa numa cidade criativa, é importantíssimo"
Guta Moura Guedes na apresentação da ExperimentaDesign 2009 (Lisboa)

Já em 2003, e certamente no intuito de "tornar Lisboa numa cidade criativa", a ExperimentaDesign lançou o projecto Voyager-03 o qual, segundo as palavras dos organizadores "é uma exposição/instalação de criatividade portuguesa - mais de 50 criadores nacionais - arquitectura, artes plásticas, fotografia, design gráfico, design industrial, design de moda, design de produto, video, música" e ainda "3 países, 4 cidades, 4.293 kilómetros, 72 dias, 35.244 visitantes, 490 visitantes/dia".

Perante tão "ambicioso" projecto, e perante números tão "esmagadores", já alguém se lembrou de perguntar aos tais 50 criadores portugueses quais foram os resultados práticos desta acção?

Voltaremos a "embarcar" na Voyager e noutras "viagens" da ExperimentaDesign

terça-feira, 23 de setembro de 2008

A-PROPÓSITO DESTE POST

Guta Moura Guedes
ou
Da arte de bem cavalgar toda a sela


Briefing Confidêncial

Objectivo
Lançamento, em 4 anos, de um produto de sucesso

Orçamento
€ 5.000.000 (cinco milhões de euros de dinheiros/apoios públicos e privados)

Algumas entidades envolvidas
- Fundos Estruturais Europeus (Feder e Plano Operacional da Cultura)
- Ministério da Cultura (apoios directos em euros e outros)
- Câmara Municipal de Lisboa (apoios não quantificados)
- Várias entidades privadas (apoios não quantificados)

Estratégia promocional

Através de um "produto cultural" a criar (ExperimentaDesign), concretizar a afirmação de Emídio Rangel de que com uma boa campanha e com objectivos bem definidos, tudo se cria/tudo se vende, de sabonetes a Presidentes da República, passando pela "promoção/venda" de gestoras hoteleiras/cantoras para vogais do conselho de administação do Centro Cultural de Belém ou assessoras da direcção da Casa da Música para o marketing, design e o desenvolvimento .

Meios a utilizar
Os necessários e relacionados com a arte de bem cavalgar toda a sela.

Frase chave para a campanha
«Talvez não tenha currículo suficiente, além do charme. Mas, se a cultura em Portugal funciona assim (...)».
Palavras de Natxo Checa*, reproduzidas no blog designer X, e relativas à nomeação de Guta Moura Guedes para o CCB, como vogal do Conselho de Administração.
* - responsável pela Zé dos Bois-Lisboa (ZDB)
link




Comentário Anónimo
Anónimo disse...

copiando o Eça eu diria que esta senhora não cairá pq não é um edificio, sairá com benzina pq é uma nódoa.
fala-se que mudou varias vezes o seu percurso academico...hei?qual percurso academico?
AUSENCIA DE PERCURSO ACADEMICO.
não estudou. o seu quarto ano de piano do conservatorio nao pode ser pau para toda a obra. a não ser que todos os cargos que ocupou tivessem como obrigação bater umas teclas.
que a senhora "dá música dá".
para alguem que é tao autodidacta é estranho que não se tenha atrevido a tirar umas cadeirinhas de design (ahah, a piada ficou profunda : cadeiras/design!)
pq é que ela n se casa com o socrates?
faziam o casal perfeito com os seus canudos invisiveis.
que grande deturpação do conceito "self-made woman"!!!
e agora é "curadora".
que tal por um penso rapido no cerebro?
eu não a quero a representar Portugal em área alguma.
tem charme? também o Fabuloso de lavanda com que lavo o chao.

Rita Rocha

sábado, 2 de agosto de 2008

SEM COMENTÁRIOS

..."É co-fundadora da associação cultural sem fins lucrativos “Experimenta – Associação para a Promoção do Design e Cultura de Projecto”, criada em Lisboa em 1998, da qual é Presidente desde o ano 2000. Desde 1999 que se dedica à direcção e programação da bienal ExperimentaDesign, da qual é co-autora e Directora. É também responsável ou co-responsável curatorialmente por todos os projectos que a associação efectua desde que foi criada, bem como pela gestão das relações institucionais e internacionais da associação, pela sua comunicação e pelo seu desenvolvimento estratégico."...

..."
e é uma das promotoras do Compromisso Portugal"...

..."
De 1990 a 1993 assumiu a Direcção de Marketing e Comunicação da discoteca Sociedade Anónima, com capacidade para 3000 pessoas, para a qual concebeu e dirigiu, também, uma programação cultural contínua."...
link


AS BOAS ALMAS ENCONTRAM-SE NAS SOCIEDADES ANÓNIMAS

..."1989
Discoteca “Sociedade Anónima”
Ericeira.Portugal – construído"...
link

..."De 1990 a 1993 assumiu a Direcção de Marketing e Comunicação da discoteca Sociedade Anónima, com capacidade para 3000 pessoas, para a qual concebeu e dirigiu, também, uma programação cultural contínua."...
link

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

E LONDRES, COMO É QUE LONDRES SOBREVIVE SEM A EXPERIMENTA?

Your services are free - who funds Artquest?

Artquest is funded jointly by the visual arts department of the London office of Arts Council England and University of the Arts London.

link & link

Nota do formigueiro: países ricos como o nosso, subsidiam as "Experimentas" dos amigos(as) conhecidos(as) e aparentados(as), com mais ou menos bom aspecto (quanto melhor o aspecto, maior o subsídio...).
Países pobres como o Reino Unido promovem iniciativas nas quais os amigos(as) têm pouco campo de manobra, mas nas quais cidadãos interessados podem obter apoios eficientes e úteis.
Afinal, o que são €8.000.000 (um pouco mais de um milhão e seiscentos mil contos em moeda antiga, contas feitas para todos os menos dados às matemáticas...) gastos até agora com a Experimenta, para um país rico como o nosso (ou será mais apropriado escrever "um rico país" para os arrivistas do costume) ?
Bagatelas!

quinta-feira, 31 de julho de 2008

APÓS 8 MILHÕES DE EUROS, EIS QUE VOLTA A EXPERIMENTA.
E EM MADRID, COMO É QUE CONSEGUEM SOBREVIVER SEM A EXPERIMENTA?
DESCUBRAM AS DIFERENÇAS!


LISBOA
A Experimenta é uma unidade de produção de conhecimentos e um pólo difusor de conteúdos nas áreas do design, arquitectura e cultura de projecto. A sua matéria-prima prioritária é a criatividade e o seu campo de inserção é a cultura e a sua permanente transformação, numa perspectiva contemporânea, integradora e multidisciplinar.

Move-se no sentido de uma intervenção incisiva no modo de pensar, produzir e promover cultura em Portugal, repercutindo-se activa e positivamente no panorama transnacional. Este duplo objectivo concretiza-se através da concepção, dinamização e promoção de projectos de criadores e instituições portuguesas, bem como...
link

MADRID
Matadero Madrid, como espacio abierto ao diálogo y reconocimiento de todas las formas de creación, acoge un nuevo centro de promocion del diseño: la Central del Diseño.

El nuevo centro es fruto del protocolo que firmaram, em mayo de 2006, el Ayuntamiento de Madrid y la Asociación de Diseñadores de Madrid (DIMAD). Es precisamente la Asociación de Diseñadores de Madrid, DIMAG, quien la gestiona.
link

Nota do formigueiro: Só por curiosidade, já alguém ouviu falar, nos últimos dois anos (ou mais...) da "Desigwise", da "Voyager" e de "outro projectos", tudo "ilustres" produções da Experimenta?
Não é por nada, mas depois de mais de 8 milhões de euros gastos com as "Experimentas" alguém já fez o balanço deste investimento? Ou não vale a pena? Provávelmente não.

terça-feira, 24 de abril de 2007

JOÃO PAULO FELICIANO
(director da ExperimentaDesign)

O toca e foge


No passado dia 19 João Paulo Feliciano enviou para este formigueiro o mail abaixo transcrito.
Neste mail, João Paulo Feliciano responde com insultos à denúncia feita por Robin Fior de plagiarismo e "copy & paste" dos trabalhos dos designer portugueses presentes na Experimenta 2005, com selecção de Henrique Cayatte.

Pelo caminho, João Paulo Feliciano insultou o autor do blogue
e os autores de blogues em geral.

No passado dia 20, dia em que aqui foi publicado um texto de resposta a João Paulo Feliciano, e no qual se sugeria a publicitação das contas da ExperimentaDesign (mais de oito milhões de euros, lembram-se?), bem como de uma análise à real importância deste evento, face ao dinheiro investido, foi enviado o seguinte mail a João Paulo Feliciano:

Acabo de publicar no meu blogue um texto de resposta ao seu amável mail.
Cumprimentos
Fernando Gonçalves

Como até agora João Paulo Feliciano não se deu ao trabalho de responder às questões colocadas, por nós o assunto está encerrado.

Agora entra em cena o "inteligente", que fará o favor de "convocar" as chocas para reconduzirem João Paulo Feliciano ao lugar de onde nunca devia ter saido.

Quanto á ExperimentaDesign, a conversa é outra.

Voltaremos ao assunto.

Divirtam-se.





segunda-feira, 23 de abril de 2007

JOÃO PAULO FELICIANO
(director da ExperimentaDesign)
O toca e foge


E ao terceiro dia, o silêncio.
link & link

sábado, 21 de abril de 2007

AVISO À NAVEGAÇÃO

Por "falta de comparência" de João Paulo Feliciano,
ainda não foram obtidas respostas às perguntas
aqui deixadas à consideração do director da ExperimentaDesign.

Quanto a Robin Fior, o tal "enrezinado, enressabiado & etc e tal", aqui
fica um link para que aqueles que não conhecem Robin Fior possam
ficar um pouco mais informados.

Divirtam-se.

LINK

sexta-feira, 20 de abril de 2007

RECEBIDO EM 19.4

Oh choriço
Porque é que não dizes que o artigo da "insuspeita" revista internacional "Eye Magazine" foi escrito pelo mais do que suspeito (enrezinado, enressabiado) Lisboeta Robin Fior?

Os Blogs têm isto: todos os enrezinados, frustrados, mal-dispostos, pequeninos, anónimos, da vida ºpodem dizer as babuzeiras que quizerem.
E não assinarem nem darem a cara.

o que vale é que as pessoas sérias não levam a sério.....

João Paulo Feliciano

Nota Formiga Bargante: João Paulo Feliciano é, desde a edição de 2001, director da ExperimentaDesign.

Meu caro João Paulo Feliciano

Pretende este texto dialogar com “gente séria”, como o meu caro se auto-intitula e eu não tenho qualquer motivo para duvidar.

Por essa razão não vou cair na sua “linha argumentativa”, que essa não é digna de “gente séria".

Passemos então aos factos e aos motivos da nossa preocupação.

1 – O que é a Experimenta?
“A Experimenta é uma unidade de produção de conhecimentos e um pólo difusor de conteúdos nas áreas do design, arquitectura e cultura de projecto. A sua matéria-prima prioritária é a criatividade e o seu campo de inserção é a cultura e a sua permanente transformação, numa perspectiva contemporânea, integradora e multidisciplinar”
“Move-se no sentido de uma intervenção incisiva no modo de pensar, produzir e promover cultura em Portugal, repercutindo-se activa e positivamente no panorama transnacional. Este duplo objectivo concretiza-se através da concepção, dinamização e promoção de projectos de criadores e instituições portuguesas, bem como do forjar de uma rede de contactos e parcerias com entidades internacionais".
(restante deste texto neste link)

2 – O que tem feito a Experimenta?
Para além das Bienais, a Experimenta apresenta, como grandes realizações, o “Designwise”, a “Voyager” e “Outros projectos”

Sobre as Bienais, falaremos mais à frente.

1.DESIGNWISE – Sem notícias desde 17 de Julho de 2004, resta interrogar as lojas referidas no site desta iniciativa, como pontos de venda dos produtos apoiados.
Uma consulta realizada há já alguns meses junto de algumas delas, em Lisboa, demonstrou uma total ignorância/alheamento sobre a Designwise.

2.VOYAGER – A última colocação “em órbita” deste projecto remonta a 2005.
Desde então, silêncio absoluto.

3. PROJECTOS PONTUAIS
3.1 - Projectos pontuais – Sem actividade desde 2005.
3.2 - Projectos editoriais – Sem actividade desde 2005. De referir que entre 2000 e 2005 produziram 3 livros e 5 catálogos.

Para uma entidade que contabiliza apoios públicos e privados superiores a 8 milhões de euros, (um milhão e seiscentos mil contos segundo a moeda antiga), e exceptuando as Bienais, é este o balanço que a Experimenta apresenta.
Que cada um retire as suas conclusões.

AS BIENAIS
Para uma entidade que capitaliza mais de 8 milhões de euros de apoios, cerca de metade dos quais de dinheiros públicos, é legitimo perguntar da utilidade destas bienais.

E é aqui que deveria ser feito um trabalho honesto e profundo sobre o impacto que as Bienais tiveram quer junto de um público mais especializado (os designers e afins) e um público mais generalizado.

E a primeira entidade interessada nesse estudo deveria ser a própria Experimenta.

Passos dados nesse sentido? Nenhuns.

As informações disponiveis são meros comunicados de imprensa, em que se faz um auto elogio do trabalho realizado, com particular destaque para a sua mentora.

E a avaliar pelas reacções dos supostamente mais directamente interessados na manutenção da Experimenta, os designers, parece que nenhum drama se aproxima pela não realização da Experimenta 2007.

Afinal, meu caro João Paulo Feliciano, “gente séria” está interessada numa correcta aplicação dos dinheiros públicos (o dos privados é lá com eles...), e, acima de tudo, numa política de transparência na actuação das várias entidades que beneficiam dos apoios desses dinheiros públicos.

Por isso, meu caro João Paulo Feliciano, e dado que tal informação não é possivel obter através do Ministério da Cultura, que tal a Experimenta apresentar públicamente as suas contas?

Uma última nota: o que escreveu sobre os blogues, não vou comentar. É uma opinião suficientemente clara para dispensar os meus comentários. Gostaria somente de lhe chamar a atenção para o facto de este não ser um blogue anónimo. No cabeçalho consta o meu nome.
Fernando Gonçalves.

Mas mesmo que fosse anónimo, penso que as questões formuladas não perderiam razão de ser.

Cumprimentos.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

DRUMEDÁRIO DISSE...

Experimenta foi das coisas mais vergonhosas, a todos os títulos, que se passaram na cultura portuguesa dos últimos anos. As carradas de dinheiro que principalmente a Câmara despejou no fogo de vista da salouice portuguesa. E a responsabilidade não é só da Guta, a grande sedutora, pois outros felinos mais hábeis e esquívos fingem que não é nada com eles. E os Jornais sempre tão prontos a ampliarem qualquer hipotese de escandaleira, no campo cultural parece que entram em terreno sagrado e só vemos jogos de panelinha. Já o ano passado a Câmara de Lisboa financiou vindo do nada um festival de cinema de uns amigos do Amaral Lopes, o que não lembra o diabo. Não existe política cultural. Nem na câmara de Lisboa e muito menos no Ministério da cultura. Não existe um pensamento estratégico. O Instituto das Artes é para rir e chorar por mais. Grassa a desorientação total. E é estranho que este governo tendo um pensamento estratégico, mal ou bom não interessa para aqui, para a Saúde, a Educação, etc, na cultura não exista nada. Poderíamos perguntar o que anda a fazer o conselheiro do 1º Ministro nestas matérias, refiro-me ao pensador pós-moderno Alexandre Melo. Menos dinheiro nunca foi entrave a um pensamento estratégico, exíge-o até. E o que temos senão a deriva. De que serviu andar a gastar milhões de euros com as Bienais de Veneza e outros eventos internacionais tão do agrado dos nossos estrategos da internacionalização? Gastaram, gastaram para niente. Nenhum desses artistas-plásticos ou arquitectos construiu uma carreira internacional, e só serviu para deslumbre caseiro. Tudo mal pensado. Infinitamente burros e infinitamente provincianos. Poderiamos falar da paralesia do CCB. De como uma instituição gasta milhões em ordenados de funcionários que não têm nada para fazer. Ou melhor o seu orçamento é engolido pelo funcionamento de uma máquina parada. Seria interminável. Neste sentido a cultura é talvez o único sector fora de qualquer ideia estratégica da parte do governo. E nesse sentido Sócrates é responsável.
LINK

sábado, 7 de abril de 2007

GUTA MOURA GUEDES
A querida da cultura


Na revista NS (notícias sábado) distribuida hoje com o Diário de Notícias, vem publicada uma entrevista a Guta Moura Guedes (“a querida da cultura” segundo o artigo) assinada pelo jornalista Torcato Sepúlveda.

Torcato Sepúlveda não é um nome qualquer no nosso jornalismo.

Ainda temos presentes muitos dos seus trabalhos publicados no Público, jornal onde trabalhou antes de se mudar para o Diário de Notícias.

E é confrangedor lêr a entrevista referida acima.

Mais uma vez é de Guta Moura Guedes que se fala, do seu percurso enquanto mulher, estudante e figura emblemática da Experimenta Design.

Mais uma vez ficamos a saber que Guta Moura Guedes é muito considerada no mundo internacional do design (até é um dos 4 membros do “International Advisory Committee de Torino 2008 World Design Capital...), entre outras importantes nomeações que o artigo insinua mas não identifica.

Ultrapassada a fase Guta Moura Guedes “a querida da cultura” seria de esperar que Torcato Sepulveda se interrogasse (a interrogasse) sobre os benefícios para o design português após mais de 8.000.000 de euros (leram bem, mais de oito milhões de euros ...) de investimento na Experimenta Design.

Afinal, passados estes anos, deveria ser fácil apresentar resultados, para além do número de visitantes às exposições e festas das Experimentas passadas.

Quantos projectos e designers portuguêses foram beneficiados pela Experimenta?

E o que aconteceu ao projecto “Discovery”, de responsabilidade da Experimenta?

E o que aconteceu ao projecto “Designwise” da responsabilidade da Experimenta?

Já agora, e para se avaliar da falta de sensibilidade do entrevistador para o tema, refira-se que Guta Moura Guedes aponta como bom exemplo da sociedade civil a iniciativa “Santos Design District” afirmando: Mais uma iniciativa da sociedade civil, que as autoridades desprezam. Lisboa tem tudo para projectos destes, para se mostrar ao mundo”, e que Torcato Sepulveda nem se deu ao trabalho de saber que este projecto nada mais é que um projecto comercial das lojas de design da zona de Santos, em Lisboa, para promover a venda dos seus stocks, nomeadamanete de design italiano e inglês.

Já agora, e para que Torcato Sepulveda saiba que “lá por fora” também se fala da Experimenta, mas em moldes que não convém a Guta Moura Guedes divulgar, aqui fica um pequeno excerto de um artigo publicado na insuspeita Eye Magazine sobre a última Experimenta:

“As it happened, another exhibition at Experimenta, of recent Portuguese work, carelessly curated by Henrique Cayatte, contained at least two examples of plagiarism and ‘passing off’, and much, though not all of the work, was in no way experimental, but offered only mediocre ‘default options’”.

link

É uma pena, mas são estas Gutas e estes Sepulvedas que nos calharam em sorte.

Parafraseando os "Gatos": venham os estrangeiros, que com estes portugueses não vamos lá!

quarta-feira, 7 de março de 2007

EXPERIMENTA DESIGN, LEMBRAM-SE?

O "Des+gn mais", programa que visa promover empresas e marcas nacionais no mercado externo através do design, está a terminar. Mas não para os envolvidos, para quem tudo está em aberto. Mais de 300 produtos de 75 designers estão em fase de produção e "já houve contactos com as empresas intervenientes com vista à sua internacionalização", disse ao DN Beatriz Vidal, designer e vice-presidente do Centro Português de Design (CPD).

O programa de dois anos, financiado pela União Europeia e apoiado pelo CPD, Prime e Ministério da Economia e Inovação, está a terminar, mas parte deste trabalho pode ser vista até dia 11, no edifício Moda Lisboa. "Vão estar em exposição quatro trabalhos de cada um dos 75 designers que entraram no programa, a duas dimensões", explica Beatriz Vidal. Vários destes projectos estiveram expostos...
in: diário de notícias de 7.3.2007 (link)

Oito milhões de euros depois, (total do investimento efectuado na Experimenta Design), parece que finalmente se começa a perceber que não é investindo em figuras pretensamente mediáticas (Guta Moura Guedes), mas sim nas estruturas existentes (Centro Português de Design + ICEP), que se criam condições para fazer a ligação da indústria com o design, e aumentar assim a nossa capacidade exportadora.

O que não deixa de ser preocupante é o facto de este programa, financiado pela União Europeia e apoiado pelo CPD, o programa Prime e o Ministério da Economia e Inovação, estar a chegar ao seu termo, dado que foi previsto para dois anos.

Estes programas são essenciais para o desenvolvimento das nossas capacidades produtivas, tendo em vista não só o mercado interno mas também a exportação, e deverão ser programas para vários anos, provávelmente até mais que uma dezena deles, dado o nosso atraso nestas e noutras disciplinas.

Antes de acabar, não quero deixar de vos chamar a atenção para o London Design Festival, onde em 2006 o "des+gn mais" esteve presente (link), e em particular para a programação, a anunciar em breve, da edição de 2007, a decorrer entre 15 e 25 de Setembro próximo.

Acedam a esta página (link) e na rúbrica "Details of Festival programme announced July 2006" descarreguem, em PDF, o programa de 2006.

Depois comparem com as programações das várias edições da Experimenta.

Este deve ser um dos poucos serviços que devemos agradecer a Carmona Rodrigues, o de ter criado o pretexto para Guta Moura Guedes acabar com a Experimenta.

Não é nada, mas já é alguma coisa na coluna dos activos do ainda presidente da CML.







sexta-feira, 30 de setembro de 2005

A DEMISSÃO DE GUTA MOURA GUEDES E O CÍRCULO DE GIZ...

Segundo o Diário de Notícias de hoje, Guta Moura Guedes foi substituida na Administração do Centro Cultural de Belém pela arquitecta Margarida Veiga.

Este é um breve texto sobre o tema, mais tarde faremos outro mais detalhado.

No entanto, não queremos, desde já de fazer notar que as nomeações para este tipo de cargos continuam a ser feita entre as mesmas pessoas.

A arquitecta Margarida Veiga já esteve no CCB, estava no Instituto das Artes, e regressa ao CCB.

Teria que sêr assim?

A resposta é não.

Vejamos:

Isabel Carlos, antiga sub-directora do Instituto de Arte Contemporânea, no tempo do saudoso Fernando Calhau, atreveu-se a concorrer, num concurso internacional e sem "padrinhos", à direcção da última Bienal de Sidney.

Atreveu-se, concorreu e ganhou.

Isabel Carlos ganha um dos mais difíceis e prestigiados concursos internacionais para dirigir uma das mais prestigiadas bienais no mundo, e no final "a sua Bienal" foi considerada uma das mais estimulantes, originais e bem organizadas bienais de Sidney.

Em Portugal, país sobejamente conhecido por possuir abundantes recursos humanos nestas e noutras áreas, Isabel Carlos edita um livro com a Fundação de Serralves e publicado pelo Público, é a comissária para a presença de Helena Almeida em Veneza, e que seja do conhecimento da Formiga, não fez mais nada.

Pergunta: não será que Isabel Carlos, com a qualidade que lhe foi reconhecida pelo júri da Bienal de Sidney, acrescida da rede de contactos e informações que foi recolhendo ao longo dos cerca de dois anos de preparação da bienal, não seria uma presença bem-vinda para a administração do Centro Cultural de Belém ?

Estamos em Portugal, não é?

sexta-feira, 23 de setembro de 2005

ASSIM TRABALHA A EXPERIMENTA DESIGN

Para uma entidade que pretende trabalhar exemplarmente no sector da comunicação, atentem neste pequeno pormenor.

Integrado na Experimenta Design 2005 vai decorrer o ciclo "DESIGNMATOGRAPHY IV", com um programa que, pela qualidade e equilibrio, deve sêr das melhores coisinhas que passam este ano na Experimenta.

Agora comparem a informação disponivel sobre este ciclo no site da Culturgest e no site da Experimenta Design.

A diferença é tão clara, tão transparente, que não vos vou insultar fazendo qualquer tipo de comentário.

Voltaremos à Experimenta.

Mas, já agora, uma pequena pergunta:

As contas com o Programa Operacional da Cultura referentes aos ano de 2003 já terão sido aprovadas?

Curiosidades...

quinta-feira, 15 de setembro de 2005

AUGUSTO M. SEABRA, A EXPERIMENTA DESIGN E PERGUNTAS POR RESPONDER

"A receber Guta Moura Guedes enquanto representante da entidade co-produtora, a fazer as honras da casa do CCB, estão, presume-se, o presidente do conselho de administração, Fraústo da Silva, e certamente a administradora Guta Moura Guedes.
Estranho? É o sistema das artes em Portugal, e os níveis de promiscuidade que nele vigora, mas é de facto muito mais: a total demissão de uma tutela política da cultura".

É este o destaque dado no Público de hoje, a um excelente artigo de Augusto M.Seabra a denunciar, uma vez mais (lembram-se dos artigos sobre o Museu do Chiado, a Ellipse Foundation e o Director do Museu Pedro Lapa?) a promiscuidade nas artes em Portugal.

Leitura obrigatória, muito embora sem acesso na net.

Mas tambêm a Formiga Bargante se tem debruçado sobre o "fenómeno" Experimenta Design.

Assim, em 21/6, 27/6, 15/8, 16/8 e 17/8 levantámos algumas questões que, como é óbvio (qual a visibilidade deste blogue? - nenhuma!), ficaram sem resposta.

Mas aqui ficam mais algumas questões, algumas antigas e outras novas.

CONTAS DE 2003
Até ao final do mês de Agosto de 2005, o relatório final da Experimenta Design a justificar o apoio de € 1.234.00 prestado pelo Plano Operacional da Cultura ainda não estava apresentado/aprovado pela entidade que administra aquele Plano.
Dois anos depois, e com uma nova edição em curso, ainda não temos contas aprovadas?

INSERÇÃO DA EXPERIMENTA DESIGN NOS APOIOS DO PLANO OPERACIONAL DA CULTURA EM 2001 E 2003
Com base em que critérios e justificação jurídica a Experimenta Design foi incluida no POC, na rúbrica 3.2.1-Medida 1.1 - Recuperação e Animação de Sítios Históricos e Culturais?

NÃO APOIO DO POC À EXPERIMENTA DESIGN 2005
Depois de apoiar com € 2.086.542 (2001 e 2003) e de no relatório à execução do POC para 2003 ter sido escrito "Da totalidade dos projectos aprovados, destaca-se pelo significativo valor de investimento associado, o projecto Experimenta Design 2003..." qual a razão que leva o Plano Operacional da Cultura a não apoiar a Experimenta Design em 2005?

BALANÇO DA EXPERIMENTA DESIGN
Quatro edições depois, (1999,2001,2003,2005) e muitos milhões de euros investidos, públicos (poder central e local), e privados, não será já tempo de fazer um balanço sério e independente dos ganhos obtidos para o Design e os Designers portugueses por estas iniciativas?
Uma primeira conclusão se pode desde já referir, sem correr o risco de errar:
Uma desconhecida, diplomada em gestão hoteleira, consegue, quatro edições depois e muitos milhões de euros investidos, repetimos, obter o estatuto público que hoje está associado ao nome Guta Moura Guedes.
Quanto ao resto, não sabemos.

Quanto às respostas, ficam para melhor oportunidade.

segunda-feira, 27 de junho de 2005

EXPERIMENTA DESIGNA 2005 - PARTE 2

2001

A Experimenta Design elabora um orçamento total de € 1.376.6822 para a bienal deste ano.

O Programa Operacional da Cultura colaborou com uma comparticipação de 62% sobre o orçamento estimado, e "libertou" € 853.542,96.

Verificar aqui as entidades que colaboraram neste ano.

2003


A Experimenta Design elabora um orçamento total de € 2.610.526,80 para a bienal deste ano.

O Programa Operacional da Cultura colaborou com uma comparticipação de 50% sobre o orçamento estimado, e "libertou" € 1.234.000

Verificar aqui as entidades que colaboraram neste ano.

2005

Para este ano, a única informação é de que a bienal se realizará entre 14.9 e 30.10 e que tem por tema "O meio é a matéria"

Para uma bienal que, no conjunto das duas anteriores realizações, recebeu, só do Programa Operacional da Cultura, cerca de € 2.000.000 (dois milhões...) é manifestamente pouca a informação disponivel para 2005.

Voltaremos ao assunto, e ao Programa Operacional da Cultura.

terça-feira, 21 de junho de 2005

EXPERIMENTA DESIGN 2005 ?

Deverá realizar-se ainda este ano, a partir de Setembro, a Experimenta Design 2005.

A única coisa que se sabe, consta do site da Experimenta.

Pouca coisa, não é ?

Não é por nada, mas já estamos no final de Junho, Julho e Agosto são meses de férias, maus para a divulgação do evento, e depois já estamos em Setembro.

Não percebo o que se passa.

Alguém pode ajudar a exclarecer este "mistério"?

Aguardamos, mas em breve voltaremos ao assunto.