segunda-feira, 14 de novembro de 2005

COMO DISSE QUE DISSE ? (JORGE VAZ DE CARVALHO)

Num colóquio realizado em Coimbra, no Teatro Académico Gil Vicente, e segundo notícia de 12 de novembro deste ano, do jornal Público, o nomeado director do Instituto das Artes, Jorge Vaz de Carvalho, terá afirmado, entre outras "pérolas de cultura", o seguinte:

"Irei lançar uma coleccção de compositores portugueses. è um dos meus primeiros objectivos com dinheiro do IA. Não existe nenhuma colecção de partituras portuguesas que se possa adquirir. Não estão disponiveis".

E, mais à frente, acrescentou que iria avançar com esta iniciativa, mesmo "roubando um pouco às outras àreas artisiticas".

Interpelado por António Olaio, que criticou aquela posição ironizando que " os músicos também podem tocar pífaro", o futuro director do Instituto das Artes respondeu:

"É evidente que o dinheiro não é elástico.Não creio que umas edições roubem assim tanto dinheiro às outras artes.Mas continuo a insistir que a música está numa situação pior do que a situação de se ser pintor e não ter pincel nem tintas".

Este "cromo", que ainda não tomou posse como director do Instituto das Artes, começa bem.

Pelos vistos o futuro director do IA ainda não percebeu que o cargo que vai desempenhar não se refere à música em particular, mas sim às artes em geral.

E um cargo como o de director do Instituto das Artes exige uma visão mais alargada, que não caia no erro de públicamente (ou em privado) vir defender umas diminuindo outras.

Para o director do Instituto das Artes todas as artes têm que ser importantes, ou então, começa desde já a colher grandes, enormes tempestades.

E o pais bem dispensa "cromos" com esta falta de visão do lugar que se propõem desempenhar.

Parafraseando o título de um livro de João dos Santos (se não sabe porquê é que pergunta?) apetece perguntar: Se não sabe porquê é que aceitou o cargo ?

Mais um embrulho para a Ministra da Cultura !

Sem comentários: