segunda-feira, 13 de novembro de 2006

LEILOEIRA CHRISTIE´S VAI DECIDIR
QUANTO VALE A COLECÇÃO BERARDO

in:jornal expresso de 11.11.2006


...É muito importante também perceber-se como vai ser feita a avaliação desta colecção. Não deve ser feita como se fosse posta à venda. Ela vai ser retirada, mais claramente ainda, do mercado. O comendador Berardo comprou bem, comprou barato. Portanto era importante que a avaliação tivesse em conta os preços de compra.
Não digo que o estado vá prejudicar o comendador. Mas se o que ele quer é dar dimensão pública a esta colecção, financeiramente será sempre prejudicado.
in: raquel henriques da silva - revista pública do jornal público de 8.1.2006

" O comendador Joe Berardo tem um número na cabeça - "sei quanto investi e estou atento ao mercado" - mas não o quer dizer. Para já, vai esperar que a Christie´s avance no final deste mês com as suas contas e depois verá se elas batem certo com as expectativas dele.

in: jornal expresso de 11.11.2006

"Mr Berardo told The Art Newspaper that the Portuguese government eventually plans to build a new museum in front of the CCB to house his collection, scheduled to open in 2010. He has, however, warned that he will not sell or donate any art to Portugal as he has a “large family”. A spokesperson for the Portuguese Ministry of Culture declined to comment".
in: the art newspaper - 9.2.2006 (link)

Tal como afirmou Joe Berardo ao Expresso do passado dia 11, "este é o momento mais importante do acordo feito com o Estado".

E é o momento mais importante, na óptica de Joe Berardo, em função do preço que vier a ser proposto pela Christie' s.

De qualquer das formas Joe Berardo sai sempre a ganhar.

Ou vende a colecção pelo preço que entende ou, se entender que o preço não é "justo", tem a colecção em exposição durante 10 anos, no Centro Cultural de Belém, com a consequente valorização, e com todas as despesas pagas pelo orçamento geral do estado, ou seja, por todos nós.

Já agora, e seguindo as sábias palavras de Raquel Henriques da Silva "É muito importante também perceber-se como vai ser feita a avaliação desta colecção".

E, acrescenta a Formiga Bargante, das eventuais contrapartidas que serão oferecidas a Joe Berardo para aceitar vender a colecção.

É que, tendo em atenção os preços que estão a ser atingidos nos leilões intermacionais, este não parece sêr o momento certo para o comendador fixar um preço que, eventualmente, só irá receber dentro de dez anos.

Esperemos para vêr.


5 comentários:

Anónimo disse...

O Jornal diz também que "Daí para a frente, e nos próximos dez anos, esse passará então a ser o preço pelo qual o Estado poderá exercer a opção de compra da colecção, não sendo possível ser alterado por nenhuma das partes, independentemente da evolução da cotação do acervo...". Mas se o Estado decidir que não pode/quer adquirir a colecção, o Sr. Berardo pode negociar novos números com outras entidades ou este é um preço estanque?

FORMIGA BARGANTE disse...

Meu caro "anônimo"

Se o Estado decidir não adquirir a colecção Berardo (se entretanto o Comendador decidir vender pelo preço proposto pela Sothebie´s...) então o Comendador está livre para negociar a colecção (em bloco ou a retalho) com quem muito bem entender e pelo melhor preço.

Entretanto, e durante 10 anos, a colecção estará em exposição/valorização no Centro Cultural de Belém, com todas as despesas pagas pelo Orçamento Geral do Estado (dinheiro de todos nós...).

E, para "compor o ramalhete", o Estado está obrigado a, durante 10 anos, contribuir com 500.000 euros anuais para a aquisição de novas peças, que o Comendador poderá adquirir pelo preço de custo.

Enfim, um grande negócio para o Comendador.

Já agora, quem terão sido os intermediários neste "negócio da China"?

Nem lhe passa pela cabeça, meu caro "anônimo"...

Anónimo disse...

Entretanto descobri isto: "Apesar de não confirmar para onde iria a sua colecção, Berardo não descartou a hipótese de ela ficar no CCB, onde estão depositadas muitas das obras. "Há alternativas", acrescentou, como o Museu de Arte Popular, actualmente encerrado. O Pavilhão de Portugal, desenhado por Siza Vieira, também tem sido apontado como possibilidade." (http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1242700&idCanal=50). Seria curioso (no mínimo), se o Museu de Arte Popular recebesse ordem de despejo - literalmente - para receber a colecção Berardo.
Quanto aos intermediários... arrisco: terá sido algum Melo, perdão, melro?

FORMIGA BARGANTE disse...

Meu caro "anônimo"

Museu de Arte Popular = Museu do Mar da Língua Portuguesa.
Mais uma "deslumbrante" ideia da "nossa" ministra...

Quanto aos intermediários, os melros foram parceiros de segunda classe.

Está mais ligado à música (carrilhões)...

Anónimo disse...

(...)"Não se pense que exagero com tão negro vaticínio e olhe-se de frente um indicador acintoso: pois não é que, em tempos de novos cortes orçamentais nos museus, teatros, bibliotecas e arquivos - instalados em dezenas de edifícios monumentais cuja manutenção dificilmente é assegurada - a própria Ministra anuncia que vai alugar a Estação do Rossio para "eventos culturais" pela módica renda de 70 000 euros por mês?"
(Raquel Henriques da Silva, "Do Museu de Arte Popular, do Museu da Língua Portuguesa e outras questões", in L+Arte, Novembro 2006, página 18)