quinta-feira, 30 de agosto de 2007

A PEDIDO DE VÁRIAS "FAMILIAS"

Para uma mais correcta análise da actuação de Dalila Rodrigues enquanto directora do MNAA, passemos aos números, dado que, quanto aos critérios técnicos, a própria tutela, (Manuel Oleiro director do ex-IPM) reconhece quer o trabalho desenvolvido foi exemplar.

Visitantes do MNAA antes da direcção de Dalila Rodrigues
2002
Visitantes totais - 72.725
Livres e Outros - 7.973
Visitantes fiáveis* - 64.752

2003
Visitantes totais - 71.793
Livres e Outros - 5.904
Visitantes fiáveis* - 65.889

2004
Visitantes totais - 75.696
Livres e Outros - 7.710
Visitantes fiáveis* - 67.986

Visitantes do MNAA com a direcção de Dalila Rodrigues
2005
Visitantes totais - 104.610
Livres e Outros - 33.930
Visitantes fiáveis* - 70.680

2006
Visitantes totais - 192.452
Livres e Outros - 53.458
Visitantes fiáveis* - 138.994

* - visitantes fiáveis = aqueles que são comprovados pelos movimentos de bilheteira.

E é aqui que a "Brigada do Reumático" reage.

Dalila Rodrigues demonstra, na prática, que pese embora as dificulades sobejamente conhecidas, é possivel fazer mais e fazer melhor.

Contráriamente ao cinzentismo reinante na corporação dos directores de museus, aliado à incompetência e ao desleixo, Dalila Rodrigues bate-se pelo MNAA e pela criação de condições de trabalho que permitam ao MNAA ocupar a posição que por direito lhe compete.

Politicamente, o MNAA já é reconhecido como um museu diferente de todos os outros.

É o único de nomeação ministerial e não por concurso, como acontece com os restantes museus nacionais, e o seu director é equiparado a sub-director geral, enquanto todos os outros directores estão equiparados a chefes de serviço.

Afinal, o grande "pecado" de Dalila Rodrigues foi o de tentar que o reconhecimento político, já existente, fosse aplicado na prática de gestão do MNAA.

Mas Dalila Rodrigues comete um segundo "pecado".

Luta por maior autonomia mas também por mais responsabilização, pretende assumir os riscos e as responsabilidades que o estatuto que pretendia para o MNAA acarretaria.

Nenhum dos outros directores de museu, os tais da brigada do reumático, pretende, para os seus museus, esse acréscimo de responsabilidade, mas também de autonomia.

Um exemplo prático.

Sob a direcção do futuro director do MNAA, o Museu do Azulejo sofreu (ainda sofre?) de graves problemas de infiltrações no edifício, com consequências que já foram sobejamente "ilustradas" neste blogue (consulte-se "arte povera no Museu do Azulejo").

E o que faz o seu director?

Solicita à chefia, IPM, obras para reparar a cobertura do edifício.

E lava daí as mãos.

Outro caso.

Dalila Rodrigues quando chega ao MNAA depara-se com uma situação muito grave de infiltrações no espaço da Capela das Albertas.

Solicita obras urgentes à tutela para reparar a situação.

Como a tutela, IPM, nada faz, alegadamente por falta de verbas, Dalila Rodrigues não descança enquanto não encontra apoio mecenático para efectuar a reparação.

E a obra está feita!

Para além de tudo o mais, e que é muito, aquilo que distingue Dalila Rodrigues dos seus ex-colegas directores de museus, é que ela "sente" a responsabilidade de ser directora de um museu, e mais ainda, a responsabilidade de ser directora do MNAA.

E, no fundo, são estas algumas das razões para o afastamento de Dalila Rodrigues.

Tal como já tinhamos escrito em 2005, Dalila Rodrigues era uma carta fora do baralho, e mais tarde ou mais cedo teria que ser "expulsa" do jogo, dado que este é jogado por jogadores habituados, desde há longos anos, a jogar com cartas sebentas e viciadas.

E, afinal, foi isso que veio a acontecer.

3 comentários:

Anónimo disse...
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Anónimo disse...

PACHECO PEREIRA DISSE ( IN ABRUPTO)

Em toda a campanha interior do PSD deve estar presente que um candidato a dirigente do PSD é um candidato a Primeiro-ministro. Marques Mendes, no seu "passeio" pelo Museu Nacional de Arte Antiga, esqueceu-se disso porque foi dar caução a um acto que é inadmissível numa funcionária pública no exercício das suas funções. Esta é uma questão de Estado, que já o presidente da República tratou com pouco cuidado.

Ao fazer o que fez (e já antes em várias alturas tinha procedido igualmente mal), Dalila Rodrigues colocou-se numa situação insustentável. Não é suposto uma funcionária pública abandonar o dever de lealdade e isenção e, se queria fazer o que fez, poderia muito bem fazê-lo noutra condição, noutro estatuto, de outra maneira. Tudo aquilo era possível, com Marques Mendes visitando o Museu ao lado de Dalila Rodrigues, ambos como cidadãos e políticos, no pleno exercício dos seus direitos, criticando o Governo como entendessem, mas Dalila Rodrigues não poderia estar ali como directora do Museu, mesmo demissionária, nem poderia colocar-se ao lado do líder da oposição na casa do Estado que gere, para atacar o Governo legítimo do seu país. Insisto: é uma questão de Estado.

10:48 (JPP)

Anónimo disse...

Obviamente que o texto de Luis Raposo diz, de facto, toda a verdade (ou, o que é pena, ainda não diz toda verdade...)e acerta, como nenhum outro, na mouche!
Prova disso: alguém, até agora, exceptuando ataques desesperados e apenas gratuitamente insultuosos (estou a falar do Alexandre Pomar e duma espécie de blog chamado "Formiga Bargante"), desmentiu, com factos e com seriedade, o que aí está escrito?
Aliás, o silêncio (mais um) de Dalila Rodrigues não poderia ser mais esclarecedor.
Força, Luis Raposo e restantes colegas, continuem o vosso trabalho sério e respeitado!
O espectáculo degradante da visita de Marques Mendes ao MNAA fez, em definitivo, cair a máscara aquela senhora, se é que tal ainda era necessário