sexta-feira, 7 de abril de 2006

CRÓNICA DE UMA VISITA, NUM DIA DE CHUVA,
AO MUSEU DO AZULEJO,
EM LISBOA.

IV- DE UM PAINEL QUE SOBREVIVEU AO TERRAMOTO DE 1755, MAS QUE, POR ESTE ANDAR, NÃO RESISTE AO DESLEIXO DO DIRECTOR DO MUSEU DO AZULEJO

No mesmo piso do claustro onde estava a obra de arte povera ontem aqui descrita, está em exposição um painel de azulejos que o folheto do museu descreve desta forma: "Na galeria sul do claustro, o grande panorama de Lisboa, é a mais completa iconografia da cidade antes do terramoto de 1755".Quando, lá ao fundo, vislumbrei o "meu" simpático turista francês que ontem me tinha desvendado o "mistério da gabardine", já deveria estar preparado para o pior, e ter dado meia volta e ir ver a peça do Pedro, afinal a razão da minha visita ao museu, ao fazer horas para o almoço. Mas não. Aproximei-me e fui ver o que ele observava com tanta atenção. E bem devia ter ido ver a peça do Pedro. Afinal o que o "meu" querido turista observava com tanta atenção era "só" isto:
Água a cair do tecto (ele mesmo com uma curvatura já bem prenunciada), directamente na zona do painel. Tendo verificado o meu interesse anterior pela arte povera instalada no museu, o "meu" amigo turista, sempre com aquele ar complacente e risonho, fez-me uma pequena chamada de atenção, dizendo-me que tinha chegado demasiado tarde para assistir a outra instalação de arte povera no local onde nos encontrávamos. Cerca de uma hora antes, e face ao volume de água que caia do tecto, o pessoal do museu tinha instalado ali uma boa meia duzia de contentores de vistosas e atraentes cores, essa sim, uma grande instalação de arte povera.

Mas voltemos ao painel de azulejos com "a mais completa iconografia da cidade antes do terramoto de 1755".
Baixando o olhar do tecto para o painel, eu e o "meu" turista francês, tinhamos esta cena diante dos olhosUma secção do painel desmontada. E ao aproximar ainda mais o nosso olhar daquela zona, para tentar perceber a razão de tal retirada, a explicação estava ali, à nossa frente, era esta:
A madeira que servia de suporte à fixação do painel à parede estava podre. Sim, meus caros, podre. Sem qualquer margem para dúvidas. Podre e bem podre, sinal de que as infiltrações de água naquela zona eram antigas, bem antigas. Se dúvidas existem, aqui fica a prova do afirmado:Se observarem atentamente a trave de madeira que tendes diante de vós, notarão que no momento em que o painel de azulejos "tapa" a nossa visão da madeira, esta continua podre e bem podre, estado esse de podridão que se prolonga para a zona de fixação deste painel. Será que estará seguro este painel? E os outros paineis ? E o painel da esquerda, que ainda lá está e para o qual orientamos agora a nossa atenção, estará também ele seguro?Seguro ou não, não sabemos. Mas que está num estado calamitoso de conservação, isso salta à vista desarmada.Num museu cujos visitantes são maioritáriamente estrangeiros (cerca de 85%), que ali se deslocam para conhecerem a azulejaria portuguesa, e sendo este painel uma das peças mais valiosas da colecção, é este o cuidado e atenção que merece por parte do seu director

Provávelmente será porque o senhor anda muito ocupado a tratar das exposições temporárias e dos "belos" textos que invariávelmente escreve nos luxuosos catálogos das mesmas, para provar à posteridade que ali "existiu" alguém de profundo saber e erudição.

O resto, bagatelas !

1 comentário:

Belogue disse...

Cara Formiga:
Não está ninguém cá, foram todos para o Irão.(Espoliar, digo eu). Confirma-o este convite que chegou via mail:
Informação GAMNA Segunda-feira, 3 de Abril de 2006


Actividades do Grupo de Amigos do Museu Nacional de Arqueologia
em Abril de 2006

Dias 6 a 18 - Viagem ao Irão.
Programa organizado pelo Museu Nacional de Arqueologia, com o apoio da Embaixada da República Islâmica do Irão em Portugal.