segunda-feira, 6 de novembro de 2006

PLANO DE REVITALIZAÇÃO DA BAIXA-CHIADO

Vereadores discutem hoje revitalização da Baixa.
in: jornal público - 6.11.2006

A notícia de hoje do Público é francamente desanimadora.

A tomar como correctas as afirmações contidas na citada notícia, parece ser pacifica a aceitação, por toda a vereação da CML, da discussão do Plano de Revitalização da Baixa-Chiado como um acto isolado, um pequeno retalho da "manta" que é Lisboa.

É muito preocupante verificar que os edis que governam (ou se governam...) Lisboa ficam indiferentes ao facto de não existir um plano geral e integrado para a cidade, e vão passando o tempo a discutir "retalhos".

Enquanto em Londres o "Mayor" Ken Livingston mobiliza pessoas ligadas aos negócios mas também às indutrias criativas, membros do governo mas também representantes dos organismos ligados às artes e à cultura, não só oficiais mas também privados, para analizarem o potencial de crescimento da cidade de Londres tendo como base o sector criativo, e dá assim origem ao instituto Creative London (LINK), entre nós o mais longe que se alcança é um "Colombo a céu aberto" no coração da cidade.

O que está a ser ignorado nesta discussão (mas existe discussão?) é o facto de a Baixa-Chiado não ser "mais um retalho" avulso na cidade, mas sim o local a partir do qual será possivel lançar uma nova visão de cidade e de vivência na cidade.

E a preocupação é ainda maior quando a voz que mais se faz ouvir na oposição camarária, o vereador Sá Fernandes, afirma, ainda segundo o Público "que concorda com a transformação do quartel da GNR no Carmo em pólo cultural".

Que a razão que leva a esta proposta, segundo Ricardo Salgado, um dos autores do projecto em análise, seja "a proximidade ao Bairro Alto e ao futuro Museu do Design" parece não incomodar Sá Fernandes.

Que o valor histórico e simbólico da Baixa-Chiado, bem como do Terreiro do Paço, e a sua capacidade para lançar um movimento de real transformação da cidade no sentido de a tornar mais amigável e sustentável, parece não incomodar ninguém.

Até Filipe Lopes, antigo director municipal da reabilitação, afirma que uma das maiores dificuldades que encontra no plano é "pôr a Baixa a funcionar 24 horas por dia, ou seja, conseguir que os comerciantes pratiquem horários alargados e que nasça aqui vida nocturna, através do surgimento não apenas de bares, mas também de cafés", ou seja, um antigo director municipal da reabilitação está parado no tempo em que a animação das cidades era feito com bares e cafés !
Já agora, homem, junte restaurantes !

Como afirmamos no início, o que se está a passar é muito preocupante.

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